Cultura
Escritor canadiano reconhece ter cometido vários plágios. Publicação de “Era isso ou morrer” foi suspensa em Portugal
Thélyson Orélien respondeu pela primeira vez, esta terça-feira, às acusações sobre a utilização de inteligência artificial no seu mais recente livro publicado. O escritor admitiu, no entanto, ser responsável pelos plágios detetados e pediu desculpa a todos os leitores.
De acordo com Orélien, “nenhuma frase” do romance best-seller em França “C'était ça ou mourir” – “Era isso ou morrer”, em português – foi criada por inteligência artificial, como vem sendo divulgado desde 21 de setembro.
“Recorri aqui e ali a ferramentas para fazer pesquisas, nomeadamente no que diz respeito a expressões idiomáticas estrangeiras. Mas nenhuma frase deste livro foi criada por uma máquina. Este romance (…) nasce das minhas feridas e das dos outros migrantes. Essa ferida do exílio da qual não se cura. É o fruto do meu trabalho, é a minha criação”, esclareceu o autor.
O primeiro rascunho da obra terá sido concluído em 2019. Thélyson Orélien confirmou ter cometido "erros inaceitáveis” ao longo do processo de escrita, ao plagiar textos de outros autores, quando, na época, se mudou do Haiti para o Canadá, onde vive atualmente.
“Estava um pouco apressado demais, sem avaliar verdadeiramente o que ainda tinha de aprender. Queria escrever, lia muito (...) Mas admirar não permite que me aproprie, que me atribua textos que não são meus. Lamento profundamente e apresento as minhas desculpas”, concluiu, numa nota enviada à Agence France-Presse.
“A crítica é sempre legítima, mas as ameaças e o assédio racista de que sou alvo há semanas são insuportáveis”, referiu.
A editora Les éditions du Boréal anunciou a suspensão da campanha de lançamento do romance, na sequência das suspeitas de plágio nesta e noutras obras do mesmo autor.
O autor, que estaria em território francês para promover o livro, regressou ao Quebeque, onde se manteve em silêncio sobre toda a polémica até esta terça-feira.
“Recorri aqui e ali a ferramentas para fazer pesquisas, nomeadamente no que diz respeito a expressões idiomáticas estrangeiras. Mas nenhuma frase deste livro foi criada por uma máquina. Este romance (…) nasce das minhas feridas e das dos outros migrantes. Essa ferida do exílio da qual não se cura. É o fruto do meu trabalho, é a minha criação”, esclareceu o autor.
O primeiro rascunho da obra terá sido concluído em 2019. Thélyson Orélien confirmou ter cometido "erros inaceitáveis” ao longo do processo de escrita, ao plagiar textos de outros autores, quando, na época, se mudou do Haiti para o Canadá, onde vive atualmente.
“Estava um pouco apressado demais, sem avaliar verdadeiramente o que ainda tinha de aprender. Queria escrever, lia muito (...) Mas admirar não permite que me aproprie, que me atribua textos que não são meus. Lamento profundamente e apresento as minhas desculpas”, concluiu, numa nota enviada à Agence France-Presse.
“A crítica é sempre legítima, mas as ameaças e o assédio racista de que sou alvo há semanas são insuportáveis”, referiu.
A editora Les éditions du Boréal anunciou a suspensão da campanha de lançamento do romance, na sequência das suspeitas de plágio nesta e noutras obras do mesmo autor.
O autor, que estaria em território francês para promover o livro, regressou ao Quebeque, onde se manteve em silêncio sobre toda a polémica até esta terça-feira.
Em Portugal, a editora Dom Quixote, do grupo Leya, suspendeu a publicação do livro “C'était ça ou mourir”, do qual tinha adquirido os direitos no início deste ano.
A obra foi, ainda, retirada da lista de candidatas ao Prémio Goncourt, a mais antiga distinção literária atribuída em França. O Prémio Renaudot, por outro lado, manteve-a entre os nove romances selecionados.
Samuel Fitoussi, co-criador do projeto “Balance ton Claude” e responsável pelas primeiras críticas à obra de Orélien, explicou que as acusações se devem à preocupação de que “após vários milénios de civilização baseada na escrita, a IA provoque o desaparecimento da leitura e da escrita”.
Apesar do escândalo, as vendas do romance já ultrapassam os 65 mil exemplares e a tendência aponta para um crescimento ainda maior.
A obra foi, ainda, retirada da lista de candidatas ao Prémio Goncourt, a mais antiga distinção literária atribuída em França. O Prémio Renaudot, por outro lado, manteve-a entre os nove romances selecionados.
Samuel Fitoussi, co-criador do projeto “Balance ton Claude” e responsável pelas primeiras críticas à obra de Orélien, explicou que as acusações se devem à preocupação de que “após vários milénios de civilização baseada na escrita, a IA provoque o desaparecimento da leitura e da escrita”.
Apesar do escândalo, as vendas do romance já ultrapassam os 65 mil exemplares e a tendência aponta para um crescimento ainda maior.