Escritor e caricaturista brasileiro Ziraldo ganha Prémio Ibero-Americano Quevedos

Madrid, 09 Dez (Lusa) - O escritor e caricaturista brasileiro Ziraldo Alves Pinto conquistou hoje em Espanha o VI Prémio Ibero-americano de Humor Gráfico "Quevedos", pela "qualidade e importância da sua obra, o seu compromisso social e a sua grande repercussão e difusão internacional".

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Este galardão bienal, instituído pelos ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros de Espanha, tem uma dotação de 30.000 euros.

A decisão do júri, que se reuniu na Universidade Alcalá de Henares, Madrid, foi adoptada por maioria e após sucessivas votações. O prémio distingue a trajectória profissional de humoristas gráficos espanhóis e ibero-americano cuja obra se destaque pelo seu significado social e artístico.

Ziraldo Alves Pinto, mais conhecido como Ziraldo, é um artista tão popular que se fizeram filmes com algumas das personagens que criou, como por exemplo o Menino Maluquinho, também adaptado ao teatro. É ainda autor de livros infantis, que ele mesmo ilustra.

Os seus desenhos e caricaturas são conhecidos em todo o mundo. Ziraldo nasceu em 1932 em Caratinga, estado de Minas Gerais, e os seus pais chamaram-lhe Ziraldo para unirem os seus respectivos nomes, Zizinha e Geraldo.

Tinha seis anos quando publicou o seu primeiro desenho no jornal "A Folha de Minas". Esse foi o começo de uma carreira ao longo da qual recebeu prémios importantes como o internacional do Salão de Caricatura de Bruxelas, o "Merghantelle" de 1969 e o prémio da Imprensa Livre da América Latina.

Ziraldo colaborou em praticamente todos os "media" do seu país. Em 1963 começou a trabalhar no "Jornal do Brasil", onde continua a publicar uma "tira" de humor que se converteu há muito numa referência indispensável.

"Jeremias o bom", "A super-mãe" e o "Mineirinho" são personagens que criou e foram muito populares nos anos 60. Em 1957 começou a publicar na revista "A cigarra".

Em 1964, quando os militares tomaram o poder no Brasil, foi suspensa a publicação de "O pasquim", o maior periódico inconformista da imprensa brasileira, que Ziraldo fundara com outro humorista, mas as suas personagens sobreviveram aos "anos de chumbo" do militarismo.

Nesse período de ditadura (1964-1984) Ziraldo desenvolveu um intenso trabalho de resistência à repressão. Em 1999 criou duas revistas, "Bundas" e "Palavras".

Pintor, caricaturista, desenhador gráfico, jornalista e autor de teatro, publicou vários livros para crianças, traduzidos para italiano, inglês, francês, alemão e basco.

RMM.


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