Escritora chinesa Jung Chang publica em Portugal biografia da "imperatriz viúva"

Lisboa, 19 mai (Lusa) -- A escritora chinesa Jung Chang conta no livro "A Imperatriz Viúva", agora editado em Portugal, a história de Cixi (1835-1908) "uma das mulheres mais importantes" da China imperial, responsável por mudanças radicais no país.

Lusa /

Jung Chang, autora de "Os Cisnes Selvagens", um romance autobiográfico sobre a China do século XX, e da extensa biografia de Mao Tse Tung relata agora a vida da filha de um funcionário imperial que chegou a ser governador de uma parte da Mongólia e concubina do imperador Xianfeng.

"Os últimos cem anos têm sido extremamente injustos com Cixi, que tem sido considerada ora tirânica e má ou irremediavelmente incompetente -- ou tudo isso. Poucas das suas realizações foram reconhecidas e quando o são, o crédito, é, invariavelmente atribuído aos homens que a serviam. Isso deve-se em grande parte ao facto de ser mulher", escreve Jung Chang.

Para a escritora, Cixi conduziu a China medieval à modernidade, tendo introduzido no país os caminhos-de-ferro, a eletricidade, o telégrafo, o telefone, a medicina ocidental, um exército e uma marinha de guerra modernos, assim como formas modernas de efetuar o comércio externo e a diplomacia.

Segundo a investigação histórica de Jung Chang, Cixi substituiu o restritivo sistema educativo milenar chinês por escolas e universidades ao estilo Ocidental, fez florescer a imprensa e abriu portas à participação política

Sob a sua influência, foram introduzidas as primeiras formas de votação na China e pela primeira vez as pessoas passaram a chamar-se "cidadãos", acabando-se ainda com o tradicional enfaixamento dos pés das mulheres.

No último livro de Jung Chang são também relatados os primeiros momentos do expansionismo japonês e os factos marcantes da revolta da população chinesa e sobretudo dos `boxers`, uma sociedade secreta de artes marciais de Shandong, contra os estrangeiros.

De acordo com Jung Chang, quando a violência contra os cristãos eclodiu, Cixi ordenou que fossem protegidos e os criminosos fossem presos e severamente castigados.

O livro, que inclui mapas e fotografias, tem como fontes documentos históricos inéditos, especialmente chineses, que "só vieram a lume" após a morte do ditador Mao Tse Tung em 1976.

Em particular, destacam-se os Arquivos Históricos da China que contêm 12 milhões de documentos respeitantes a Cixi e que nunca tinha sido citados até hoje.

De acordo com a autora, Cixi foi líder porque se manteve do lado certo da História e "foi gigante, mas não santa", referindo a este propósito as campanhas militares brutais que desencadeou.

"As suas tentativas de utilizar os `boxers` para lutar contra os invasores resultaram em atrocidades cometidas em larga escala pelos próprios `boxers`", conclui Jung Chang que sublinha que, ao longo de quatro décadas de poder absoluto, Cixi "não era déspota", ao contrário de Mao Tsé Tung que "devorou a vida" a 70 milhões de pessoas em 27 anos de governação.

A autora do livro, nascida na China em 1952, chegou a ser membro do Exército Vermelho durante a Revolução Cultural antes de iniciar os estudos de inglês, tendo sido mais tarde assistente na Universidade de Sichuan antes do exílio no Reino Unido, em 1978, onde reside.

O livro "A Imperatriz Viúva -- Cixi, a concubina que mudou a China" (editora Quetzal, 519 páginas) foi lançado em Portugal na sexta-feira.

 

 

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