Espanha e Portugal inauguram Centro de Estudos Ibéricos na Guarda
A Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, considerou hoje a inauguração, na Guarda, da sede do Centro de Estudos Ibéricos (CEI) como "um momento de pleno significado, não só para a Guarda, mas para todos os habitantes do espaço ibérico".
A governante participou com o Secretário de Estado das Universidades de Espanha na abertura oficial do Solar do Alarcão, onde fica sedeado o CEI, em que foram investidos pelo município local cerca de 300 milhões de euros.
Isabel Pires de Lima felicitou as Universidades de Salamnaca (Espanha) e de Coimbra, o Instituto Politécnico da Guarda e a Câmara da Guarda por esta iniciativa, surgida por sugestão do escritor e ensaísta Eduardo Lourenço, natural de São Pedro de Rio Seco (Almeida, distrito da Guarda), nas celebrações do VIII Centenário da atribuição do Foral à Guarda por D. Sancho I, em 27 de Novembro de 1199.
A ministra sublinhou que ambas as Universidades, em momentos diferentes "tiveram a sabedoria e ousadia de se aliar a esta fantástica aventura", numa referência ao objectivo do CEI.
A inauguração da sede deste centro ocorre quatro anos após a sua constituição oficial, em 2001, período que Isabel Pires de Lima disse ter sido de "intensa e fecunda troca de experiências entre académicos e estudiosos de ambos os lados da fronteira, que constitui, sem dúvida, um marco, um virar de página".
Realçou a construção da Biblioteca Eduardo Lourenço, na Guarda, junto do edifício do CEI, como um espaço contíguo que "irá dinamizar ainda mais o intercâmbio entre as Universidades de Coimbra e de Salamanca, no quadro de um louvável projecto que visa a criação de uma Rede Transfronteiriça de Bibliotecas".
"No tempo em que vivemos, o estabelecimento de +vasos comunicantes+ entre instituições académicas de grande relevo e prestígio assume particular importância. O diálogo contínuo e sistematizado entre estudantes, professores ou investigadores é condição +sine qua non+ para a evolução do conhecimento humano que, sabemos, progride hoje a uma velocidade quase estonteante", afirmou.
A Ministra da Cultura salientou a atribuição do Prémio Eduardo Lourenço, que no ano passado foi concedido pela primeira vez, a Maria Helena Rocha Pereira, docente universitária e ensaísta de Coimbra, a primeira mulher catedrática da Universidade desta cidade, jubilada desde 1995, especialista nas culturas grega e latina.
Isabel Pires de Lima referiu ainda a concessão de bolsas de estudo, a realização de Cursos de Verão, conferências, seminários e encontros como iniciativas que marcam a actividade do CEI e que "privilegiam de forma inquestionável todos quanto nasceram de um ou outro lado desta Península que se chama Ibérica".
O Presidente do Instituto Politécnico da Guarda (IPG), Jorge Mendes, embora evidenciando a importância do CEI, lamentou que aquele instituto tenha registado "uma mágoa" por não ter sido sócio-fundador do Centro na altura em que, em 27 de Novembro de 2000, foi feita a escritura com a participação das Universidades de Salamanca e Coimbra e da Câmara Municipal da Guarda.
Defendeu a necessidade de o CEI "abrir-se definitivamente a novos investigadores", salientando que o IPG os possui nos seus quadros.
Eduardo Lourenço sugeriu então que o CEI passe a ter como nomes os de Oliveira Martins, historiador do século XIX, e de Miguel Unamuno, pensador espanhol, defensores do espírito ibérico.
O escritor disse que "nós temos de acompanhar a luta do espírito moderno consigo mesmo, este espírito moderno que tanto nos custou, de peninsulares".
Na cerimónia esteve presente o Secretário de Estado das Universidades de Espanha, Salvador Ordoñes Delgado, que defendeu a cooperação ibérica como forma de desenvolvimento, sobretudo nas regiões transfronteiriças.