Espanhol Ángel Campos Pámpano vence Prémio Eduardo Lourenço 2008
Guarda, 02 Out (Lusa) - O poeta e tradutor espanhol Ángel Campos Pámpano é o vencedor da quarta edição do Prémio Eduardo Lourenço, no valor de 10 mil euros, atribuído pelo Centro de Estudos Ibéricos (CEI), sedeado na Guarda.
A decisão foi hoje anunciada por José Ramon Alonso, reitor da Universidade de Salamanca, no final de uma reunião do júri realizada, pela primeira vez, nas instalações do CEI.
O prémio, que tem o nome do ensaísta Eduardo Lourenço, mentor e presidente honorário do CEI, "destina-se a distinguir personalidades ou instituições, de língua portuguesa ou espanhola que tenham sido protagonistas de uma intervenção relevante e inovadora no âmbito da cooperação e no domínio das identidades, das culturas e das comunidades ibéricas".
José Ramon Alonso, que presidiu ao júri, anunciou que a distinção foi entregue ao espanhol Ángel Campos Pámpano, justificando que o júri "reconheceu os seus méritos como escritor, como tradutor, como crítico e estudiosos das obras de autores portugueses".
Na escolha também pesou o facto de ser editor da revista de literatura "Espacio/Espaço", escrita em português e espanhol "que ajudou a conhecer as fronteiras dentro do critério do iberismo" e "ajudou a divulgar autores portugueses em Espanha e espanhóis em Portugal", referiu.
O espanhol foi escolhido pelo júri num total de seis candidatos (quatro espanhóis e dois portugueses), admitindo o seu presidente que "foi uma escolha difícil porque havia magníficos candidatos", sem revelar os seus nomes.
Antonio Colinas, escritor, Premio Nacional de Literatura de Espanha, que fez parte do júri, disse à Lusa que o conterrâneo "é uma pessoa com uma actividade múltipla", tendo feito um grande trabalho na divulgação de autores portugueses em Espanha.
Colinas foi tradutor de obras de Fernando Pessoa, Almada Negreiros e António Ramos Rosa, entre outros.
Vasco Graça Moura, também elemento do júri, afirmou que a figura de Ángel Campos Pámpano foi "fundamental na divulgação da cultura portuguesa no universo espanhol", daí considerar que o galardão foi "bem entregue".
O júri desta edição foi constituído por José Ramón Alonso (reitor da Universidade de Salamanca), Fernando Seabra Santos (reitor da Universidade de Coimbra) e Joaquim Valente (presidente da Câmara da Guarda), em representação da direcção do CEI.
Fernando Catroga e Fernando Rodríguez de la Flor foram os dois representantes da Comissão Científica do CEI, enquanto que Valentín Cabero Diéguez e Jaime Couto Ferreira representaram a Comissão Executiva.
Este ano, as personalidades convidadas foram Vasco Graça Moura (escritor e deputado ao Parlamento Europeu), Guilherme de Oliveira Martins (presidente do Centro Nacional de Cultura e do Tribunal de Contas), Alberto Navarro (Embaixador de Espanha em Lisboa) e Antonio Colinas (escritor, Premio Nacional de Literatura de Espanha).
A sessão solene de entrega do prémio hoje atribuído terá lugar a 27 de Novembro, na Guarda, no dia do Feriado Municipal.
As três anteriores edições do prémio Eduardo Lourenço contemplaram Maria Helena da Rocha Pereira, catedrática jubilada da Universidade de Coimbra na área da Cultura Greco-Latina, o jornalista espanhol Agustín Remesal, antigo correspondente da TVE em Lisboa, e a pianista Maria João Pires.
O CEI é uma associação transfronteiriça sem fins lucrativos que nasceu de uma ideia do ensaísta Eduardo Lourenço lançada na sessão comemorativa do 8º Centenário do Foral da Guarda em 1999.
Foi criado em 2000 pela Câmara Municipal da Guarda e pelas Universidades de Coimbra e de Salamanca (Espanha), integrando mais tarde o Instituto Politécnico da Guarda.
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