Cultura
Esperados milhares de alemães em protesto contra a “islamização do Ocidente”
O grupo Pegida (Europeus Patrióticos contra a Islamização do Ocidente) promove desde outubro manifestações em vários pontos da Alemanha, em oposição à influência crescente do islão. Os protestos reuniram mais de 18 mil pessoas na passada segunda-feira, Mas para hoje é esperado um número recorde de protestantes nas ruas de Dresden e outras cidades alemãs, na sequência dos ataques terroristas de Paris.
O protesto marcado para esta segunda-feira está a ser promovido como “marcha fúnebre” em homenagem às vítimas do ataque ao Charlie Hebdo e os atos de terrorismo que se seguiram.
Lutz Bachmann, líder do movimento anti-islão, viu nos ataques de Paris a evidência dos protestos que tem levado a cabo desde outubro.
“Os islamitas, sobre os quais o Pegida tem vindo a alertar há mais de 12 semanas, mostraram em França que não são capazes de democracia, e preferem a violência e a morte como resposta. Os nossos políticos querem que acreditemos no oposto. Terá de acontecer uma tragédia deste género na Alemanha?”, foi a mensagem do grupo publicada no Facebook.
Já depois dos atentados de Paris, reivindicados por diferentes grupos extremistas muçulmanos, um contraprotesto no sábado juntou mais de 35 mil pessoas em Dresden.
Na cidade de Dresden, de onde nasceu o movimento, foram distribuídos panfletos alusivos ao Charlie Hebdo para desmobilização do Pegida, que alertam abertamente para o “aproveitamento” feito das vítimas.
Em Dresden, a sul de Berlim, decorreu na passada segunda-feira aquele que foi o maior protesto do movimento Pegida desde a sua formação, em outubro de 2014. Mais de 18 mil pessoas manifestaram-se “contra o fanatismo religioso” ou “qualquer tipo de radicalismo”.
Figuras públicas na Alemanha já acusaram os responsáveis pelo protesto de “retirarem benefícios” dos atentados e exigiram ao movimento que cancelasse as manifestações agendadas para esta segunda-feira.
Os próprios artistas envolvidos na Charlie Hebdo, nomeadamente o cartoonista alemão Willem que não estava na redação da revista satírica durante o ataque, reagiu à convocação desta manifestação com uma demarcação: “Estamos chocados com a morte dos nossos amigos. E é repugnante que as forças de extrema-direita estejam a tentar explorá-la para os seus próprios propósitos. Já o cartoonista Michel Cambon escolheu reagir por meio de uma sátira:

A contra-resposta
Têm sido vários os movimentos anti-Pegida por toda a Alemanha. Na cidade de Colónia, a contra-manifestação reunia dez vezes mais pessoas do que a massa humana reunida pelo movimento anti-islamita em Dresden.
Colónia é uma das cidades alemãs onde a comunidade islâmica tem mais peso. Os manifestantes reuniram-se para acusar este movimento de “semear o racismo e a intolerância”. A luzes da famosa Catedral da cidade foram desligadas na segunda-feira, em sinal de protesto.
Em Berlim, outra conta-manifestação reuniu 5 mil pessoas, ultrapassando por larga margem os números dos protestos sob a égide do Pegida, que reuniam naquela cidade cerca de 400 manifestantes. Também as luzes junto às Portas de Brandenburgo foram apagadas em sinal de protesto. O ministro alemão da Justiça, Heiko Mass, participou neste contra-movimento e reforçou a mensagem da chefe do Governo: “A Alemanha é um país onde os refugiados são bem-vindos”.
Também Angela Merkel condenou o movimento, logo na mensagem de Ano Novo. Falando aos cidadãos, a Chanceller apelou aos cidadãos para que “fugissem” deste tipo de movimentos, encabeçados por líderes que “têm ódio nos seus corações”. e que “a maior economia da Europa deve receber os que fogem da guerra e dos confitos”.
Um movimento em números
A Alemanha é um dos países mais liberais da União Europeia no que diz respeito à cedência de asilo. No ano passado, o número de pessoas oriundas do Médio Oriente que pediu asilo ao país quadriplicou em relação aos números de 2012, em consequência do agravamento da crise síria e do surgimento do auto-proclamado Estado Islâmico.
Segundo uma sondagem divulgada no início de 2015 pela revista alemã Stern, um em cada oito alemães diz que se juntaria ao protesto do Pegida, caso o movimento irrompesse na sua cidade. Acrescenta ainda que 29 por cento dos inquiridos acredita que os protestos são justificáveis devido à influência crescente do islão na política e sociedade alemãs.
Lutz Bachmann, líder do movimento anti-islão, viu nos ataques de Paris a evidência dos protestos que tem levado a cabo desde outubro.
“Os islamitas, sobre os quais o Pegida tem vindo a alertar há mais de 12 semanas, mostraram em França que não são capazes de democracia, e preferem a violência e a morte como resposta. Os nossos políticos querem que acreditemos no oposto. Terá de acontecer uma tragédia deste género na Alemanha?”, foi a mensagem do grupo publicada no Facebook.
Já depois dos atentados de Paris, reivindicados por diferentes grupos extremistas muçulmanos, um contraprotesto no sábado juntou mais de 35 mil pessoas em Dresden.
Na cidade de Dresden, de onde nasceu o movimento, foram distribuídos panfletos alusivos ao Charlie Hebdo para desmobilização do Pegida, que alertam abertamente para o “aproveitamento” feito das vítimas.
Em Dresden, a sul de Berlim, decorreu na passada segunda-feira aquele que foi o maior protesto do movimento Pegida desde a sua formação, em outubro de 2014. Mais de 18 mil pessoas manifestaram-se “contra o fanatismo religioso” ou “qualquer tipo de radicalismo”.
Figuras públicas na Alemanha já acusaram os responsáveis pelo protesto de “retirarem benefícios” dos atentados e exigiram ao movimento que cancelasse as manifestações agendadas para esta segunda-feira.
Os próprios artistas envolvidos na Charlie Hebdo, nomeadamente o cartoonista alemão Willem que não estava na redação da revista satírica durante o ataque, reagiu à convocação desta manifestação com uma demarcação: “Estamos chocados com a morte dos nossos amigos. E é repugnante que as forças de extrema-direita estejam a tentar explorá-la para os seus próprios propósitos. Já o cartoonista Michel Cambon escolheu reagir por meio de uma sátira:
A contra-resposta
Têm sido vários os movimentos anti-Pegida por toda a Alemanha. Na cidade de Colónia, a contra-manifestação reunia dez vezes mais pessoas do que a massa humana reunida pelo movimento anti-islamita em Dresden.
Colónia é uma das cidades alemãs onde a comunidade islâmica tem mais peso. Os manifestantes reuniram-se para acusar este movimento de “semear o racismo e a intolerância”. A luzes da famosa Catedral da cidade foram desligadas na segunda-feira, em sinal de protesto.
Em Berlim, outra conta-manifestação reuniu 5 mil pessoas, ultrapassando por larga margem os números dos protestos sob a égide do Pegida, que reuniam naquela cidade cerca de 400 manifestantes. Também as luzes junto às Portas de Brandenburgo foram apagadas em sinal de protesto. O ministro alemão da Justiça, Heiko Mass, participou neste contra-movimento e reforçou a mensagem da chefe do Governo: “A Alemanha é um país onde os refugiados são bem-vindos”.
Também Angela Merkel condenou o movimento, logo na mensagem de Ano Novo. Falando aos cidadãos, a Chanceller apelou aos cidadãos para que “fugissem” deste tipo de movimentos, encabeçados por líderes que “têm ódio nos seus corações”. e que “a maior economia da Europa deve receber os que fogem da guerra e dos confitos”.
Um movimento em números
A Alemanha é um dos países mais liberais da União Europeia no que diz respeito à cedência de asilo. No ano passado, o número de pessoas oriundas do Médio Oriente que pediu asilo ao país quadriplicou em relação aos números de 2012, em consequência do agravamento da crise síria e do surgimento do auto-proclamado Estado Islâmico.
Segundo uma sondagem divulgada no início de 2015 pela revista alemã Stern, um em cada oito alemães diz que se juntaria ao protesto do Pegida, caso o movimento irrompesse na sua cidade. Acrescenta ainda que 29 por cento dos inquiridos acredita que os protestos são justificáveis devido à influência crescente do islão na política e sociedade alemãs.