Espólio do poeta Henrique Rosa doado à Biblioteca Nacional

O espólio do poeta Henrique Rosa (1850-1925), um dos iniciadores de Fernando Pessoa na teosofia e no espiritismo, vai ser entregue quarta-feira, pelos herdeiros, à Biblioteca Nacional de Portugal, anunciou a entidade.

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A cerimónia de doação do espólio - composto sobretudo por manuscritos, nos quais se destaca um conjunto de poemas organizados sob o título "Neuresthenias" - realiza-se às 16:00 na Sala do Conselho da Biblioteca Nacional, com a presença do director da instituição, Jorge Couto, e dos herdeiros Manuela Rosa Murteira e Luís Miguel Rosa Dias.

Poeta de vasta cultura nos domínios da Filosofia, História e Literatura, Henrique Rosa era anticlerical e antimonárquico, e terá iniciado Fernando Pessoa na teosofia e no espiritismo, temas que também o apaixonavam.

Irmão do padrasto de Pessoa, com quem privou de perto após o regresso deste de Durban (África do Sul), em 1905, foi também próximo de intelectuais do seu tempo, nomeadamente Teixeira de Pascoais, Bulhão Pato, Augusto Gil, Albino Forjaz de Sampaio ou Silva Passos, entre outros.

Formado em engenharia e com uma vida profissional dedicada à Carreira militar, Henrique Rosa só começaria a publicar os seus poemas a partir de 1903, aos quais não foi indiferente Fernando Pessoa, que editaria alguns na revista "Athena", em 1924.

Henrique dos Santos Rosa foi oficial de engenharia tendo exercido funções, ainda capitão, em 1876, na Direcção de Obras Públicas de Angola, onde se manteve até 1881, regressando a Lisboa, cidade natal, em 1903, aposentando-se pouco depois com o posto de general de brigada.

Foi condecorado com a medalha militar de prata por comportamento exemplar e foi Oficial e Cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis desde 1895.


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