Estado assume edição de partituras musicais por falta no mercado

A inexistência em Portugal de uma editora de partituras musicais levou o Estado a assumir esse papel, declarou hoje o presidente do Instituto das Artes, Jorge Vaz de Carvalho, na apresentação da nova colecção "Partituras PortugalSom".

Agência LUSA /

Jorge Vaz de Carvalho explicou à agência Lusa que o projecto inicial - a edição gráfica de 18 obras musicais - está orçado em 75 mil euros.

Hoje, na presença do secretário de Estado da Cultura, Mário Vieira de Carvalho, foram apresentadas "Cena lírica", de Luís de Freitas Branco, e "Cartoons", de António Chagas Rosa.

O IA prevê nesta primeira fase - que se completará no início de 2007 - a edição de mais 16 títulos que incluam compositores como Cláudio Carneyro, Fernando Lopes-Graça, Frederico de Freitas, João Domingos Bomtempo ou Jorge Peixinho.

O "layout" gráfico da colecção é feito com desenhos cedidos por artistas portugueses, nomeadamente Jorge Pinheiro, Lagoa Henriques, Victor Belém ou Eduardo Nery.

Com a edição das partituras de obras portuguesas, o IA espera aumentar o interesse na interpretação e divulgação de obras de compositores portugueses, tanto em Portugal como no estrangeiro.

Segundo o presidente do IA, a tarefa que o Instituto se propõe levar a cabo "não pode ser episódica e tem de ter continuidade alargada".

Por esta continuidade, esclareceu, deve entender-se "a edição no estrangeiro".

Mário Vieira de Carvalho, além de salientar o papel do Estado na edição musical, lançou "um desafio aos jovens empreendedores, para que assumam o risco da edição musical e criem uma parceria com o Estado".

Esta situação, realçou, seria "salutar", podendo estabelecer- se um protocolo entre essas entidades privadas e o Estado.

O secretário de Estado referiu ainda que a constituição do conselho editorial pelo IA daria a garantia de rigor.

"O Estado define assim uma norma de edição musical com a introdução de critérios de rigor, além do exemplar aspecto gráfico, mas também de garantia de leitura filológica", disse Mário Vieira de Carvalho.


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