Estátua de colonialista britânico Cecil Rhodes decapitada na África do Sul
Uma estátua do colonizador e empresário britânico Cecil Rhodes, que defendia a supremacia branca, foi decapitada por desconhecidos na Cidade do Cabo, África do Sul.
"A cabeça da estátua foi cortada ao nível do busto, aparentemente com uma rebarbadora, na noite de domingo", disse à agência de notícias francesa AFP Rey Thakhuli, porta-voz dos Parques Nacionais da África do Sul.
A estátua está localizada no Table Mountain National Park, junto à cidade, numa zona denominada Rhodes Memorial, construída em 1912, durante a ocupação britânica do país.
"Um guarda florestal (...) descobriu o incidente na segunda-feira, 13 de julho", disse o porta-voz, acrescentando que "as razões" para o ato de vandalismo "não são conhecidas".
Contudo, desde a morte nos Estados Unidos em finais de maio de George Floyd, um homem negro sufocado por um polícia branco, estátuas de esclavagistas brancos, colonialistas e supremacistas raciais foram derrubadas ou vandalizadas em vários países.
O busto de bronze, realçado por uma subida impressionante nas escadas, já tinha sido danificado em 2001 com tinta vermelha, e novamente em 2017, quando o nariz da estátua foi partido.
Nas encostas do monte, perto da Universidade da Cidade do Cabo, outra estátua de Cecil Rhodes foi desmantelada em 2015 por estudantes que tinham lançado o movimento #RhodesMustFall (Rhodes deve cair).
Antes de ser desmontada, a estátua foi manchada com excrementos e coberta com sacos do lixo. Os estudantes viram a estátua como um símbolo da opressão da minoria branca sobre a maioria negra na África do Sul até 1994, o fim oficial do regime do `apartheid`.
Cecil Rhodes, que deu o seu nome à Rodésia (atual Zimbabué e Zâmbia), foi um dos principais arquitetos do colonialismo britânico em África no século XIX, um político e um magnata das minas que defendia a supremacia branca sobre a população negra.
Muitos dos seus princípios foram seguidos pela minoria branca que obteve a sua independência do Reino Unido, no início do século XX.