Eunice Muñoz e Diogo Infante protagonizam "Dúvida" no Maria Matos

A peça "Dúvida", de John Patrick Shanley, que se estreia na próxima terça-feira no Teatro Maria Matos, tem Eunice Muñoz e Diogo Infante nos papéis de representantes de duas correntes opostas na Igreja Católica, com o Concílio Vaticano II em fundo.

Agência LUSA /

A peça, galardoada em 2005 com o Prémio Pulitzer, marca a estreia do autor norte-americano nos palcos portugueses.

No palco do Maria Matos, Eunice Muñoz é a madre superiora de um colégio católico no bairro nova-iorquino do Bronx que acusa um padre, encarnado por Diogo Infante, de assediar sexualmente uma criança de 12 anos.

O padre clama inocência, a "Dúvida" irá subsistir até ao final da peça, o que leva a encenadora Ana Luísa Guimarães a falar de "uma peça misteriosa, quase trama policial".

"Esta peça é também uma espécie de trama policial: será que é ou não culpado? Mas no decorrer da peça instalam-se muitas outras dúvidas em todos nós, e o que às vezes nos parece seguro ou certo, já não o é", afirmou à Lusa Ana Luísa Guimarães.

"Esta não é uma peça fácil", vincou a encenadora, que afirmou querer "que as pessoas saiam do teatro a pensar".

A trama decorre em 1964, um ano depois do assassinato do Presidente John Fitzgerald Kennedy, enquanto decorre no Vaticano o Concílio ecuménico da Igreja Católica, inaugurado no Outono de 1962 por João XXIII.

Na abertura, falando aos seus fiéis, o sacerdote não hesita em perguntar: "Que fazer quando não temos a certeza?".

"A dúvida é algo silencioso em todos nós, e ao longo da peça vamo-nos interrogando sobre coisas que tínhamos seguras. Esta é uma peça fracturante, há argumentos de um e de outro lado, há sempre dois opostos", disse a encenadora, também responsável, com Felipa Mourato, pela tradução da peça.

Para Ana Luísa Guimarães, "Dúvida" tem "outras leituras e coloca em questão várias matérias, como o domínio hierárquico masculino dentro da Igreja Católica, a questão racial, ou a forma de educar".

São questões, frisou, que "dão toda a actualidade a esta peça".

O cenário de João Mendes Ribeiro remete para a utilização do betão nas construções religiosas, correspondendo a um movimento de renovação da arte e arquitectura sacras.

Bernardo Sassetti compôs a música original, interpretada pela Sinfonietta de Lisboa, sob a direcção de Vasco Pierce Azevedo.

Além de Eunice Muñoz e Diogo Infante, em palco vão estar também Isabel Abreu e Lucília Raimundo.

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