Évora acolhe exposição que mostra renascimento dos Tapetes de Arraiolos

Évora, 27 Fev (Lusa) - Quase duas dezenas de Tapetes de Arraiolos, a maioria do início do século XX e muitos com "assinatura" de Jacinta Leal Rosado, mestre que fez "renascer" aquela arte artesanal, vão estar expostos em Évora, a partir de quinta-feira.

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A exposição "O Renascimento do Tapete de Arraiolos" é promovida por Alfredo Barbeiro, proprietário de exemplares de tapeçaria de Arraiolos, e pode ser visitada na Fundação Alentejo Terra Mãe, até 20 de Março.

Em declarações à agência Lusa, Alfredo Barbeiro, sócio-gerente da empresa Tapetes de Arraiolos Califa, a mais antiga da vila alentejana, explicou hoje que a mostra reúne 18 exemplares daquela arte, desde mais antigos a mais recentes.

"O mais antigo que vai estar exposto é de 1904 e o mais recente foi acabado agora, com uma reprodução de um tapete do século XVII", disse, destacando ainda outra peça da colecção, um "tapete bordado baseado numa colcha indo-portuguesa do século XVIII".

A maior peça da exposição na Fundação Alentejo Terra Mãe, que apresenta ainda outras tapeçarias mais pequenas, acrescentou, é um tapete com 25 metros quadrados.

A maioria dos tapetes que vão ser mostrados ao público foram feitos no início do século XX, parte deles por Jacinta Leal Rosado, a mestre que a exposição pretende homenagear.

Agraciada em 1930 com o Grau de Comendador da Ordem Agrícola e Industrial, pelo então Presidente da República, Óscar Carmona, Jacinta Leal Rosado recuperou as tradições da manufactura do Tapete de Arraiolos, lançando as bases para o seu "renascimento".

"No século XVIII, a feitura do Tapete de Arraiolos decresceu em termos de qualidade artística e, não havendo pessoas com qualidade suficiente, acabou no século XIX. Foi Jacinta Leal Rosado, que era mestre e ensinou muitos aprendizes, que o recuperou", disse Alfredo Barbeiro.

A mestre de Arraiolos fez "renascer" a feitura do tapete e os processos de tingimento, destacando-se também por utilizar os tons naturais da lã dos animais (branco e castanho) nas tapeçarias.

"Jacinta leal Rosado desenhou mais de 200 tapetes, não apenas apresentando reproduções de outros antigos, mas também com desenhos novos", explicou.

Recusando que o Tapete de Arraiolos seja designado como uma "arte popular", mas defendendo sim que é "uma das jóias do artesanato português", Alfredo Barbeiro disse ainda esperar que a exposição alerte para a necessidade de proteger este património cultural.

"Há uma Lei de Bases de protecção do património cultural que está aprovada desde Setembro de 2001, mas ainda não está regulamentada e não é aplicada", denunciou.

Só com essa legislação em vigor, sustentou, o património cultural, no qual se integra o Tapete de Arraiolos, pode ser abrangido pelos direitos de autor ou pela propriedade industrial.

"Não estamos a defender, nem a parte cultural e histórica do Tapete de Arraiolos, nem a criatividade das pessoas que actualmente fazem as peças. Pelo contrário, ao não proteger este património, damo-lo de mão beijada aos chineses", lamentou.

Arte secular e "imagem de marca" da vila alentejana que os viu nascer, há pelo menos quatro séculos, os autênticos Tapetes de Arraiolos têm sido confrontados, nos últimos anos, com falsificações a preços muito mais baixos, originárias de países como a China, Brasil ou Filipinas.

O Tapete de Arraiolos utiliza a técnica do bordado a fios contados, ao contrário dos tapetes orientais e espanhóis, manufacturados pelo processo de pequenos nós feitos com lã fina, presos em volta dos fios longitudinais do tear.

Característica clássica de todos os tipos de Tapetes de Arraiolos é a divisão do mesmo em 4 partes, em que o desenho se divide pelo centro, campo, barra e é circundado por uma franja.

RRL.

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