Ex-editor da Quasi cria editora Objecto Cardíaco em Vila do Conde

O poeta valter hugo mãe criou uma nova editora, a Objecto Cardíaco, por acreditar que pode "fazer livros para quem sabe comprar livros" e que "o tempo de crise é boa altura para lutar por coisas difíceis".

Agência LUSA /

Afastado há cerca de um ano da editora Quasi (em que era sócio do escritor Jorge Reis-Sá) por ter deixado de se "rever" no projecto e "nos critérios de escolha" das obras a editar, valter hugo mãe revela- se confiante na sua aposta a solo.

"Assumo os riscos de embarcar no que parece ser uma loucura e conto apenas com o apoio de alguns amigos, que colaboram com uma ou outra tradução ou me cedem bons livros para publicar", afirmou o poeta à agência Lusa, dizendo confiar também "nos leitores informados".

De acordo com valter hugo mãe, de 34 anos, "a Objecto Cardíaco vai dar chancela a textos que não são fáceis, nem óbvios e que, por isso, não são uma aposta para outros editores".

Reconhecendo o seu "fascínio pela poesia" e por "prosas contaminadas pelo registo poético", o editor prevê lançar "30 livros por ano, nos primeiros dois anos", podendo esse número oscilar no período seguinte, "se a estratégia editorial se alterar".

O surgimento da Objecto Cardíaco em Vila do Conde revela a vontade de valter hugo mãe em "encontrar espaços culturalmente activos fora dos grandes centros de Lisboa e Porto" e de, mais tarde, desenvolver "actividades culturais mais vastas".

Com a intenção de abrir espaço a "textos de manifestação de pura liberdade", a editora dispõe de quatro colecções, estando prevista a criação de uma quinta série ainda este ano, denominada "filigrana" e que editará obras de desenho.

Para já, a Objecto Cardíaco conta com a série "aorta", que publicará poesia clássica e contemporânea, de consagrados e estreantes e em língua portuguesa ou estrangeira, e com a colecção "coisas de ignição", que dará chancela a contos, romances, entrevistas, diários, ensaios, crónica e epistolografia (correspondência).

No âmbito da série "objecto longo" será publicado um poema escrito por vários autores portugueses e estrangeiros em resposta a um desafio da editora, enquanto "a luz posterior" vai ocupar-se de publicações que - pelo seu formato ou tema - não se enquadrem noutras colecções da editora, como manuais, livros didácticos ou guias.

"A Longa Blasfémia", de Jorge Melícias, "33 Poesias", de Vladimir Maiakovski e com tradução e prefácio do vocalista dos Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal, "Música de Câmara", de James Joyce, e "Zona de Perda, Livro de Albas", de Pedro Sena- Lino são alguns dos primeiros volumes de poesia no programa da editora.

Na secção de não-ficção, destaque para "Maria! Não Me Mates Que Sou Tua Mãe!", um texto de culto de Camilo Castelo Branco sobre um crime ocorrido na Lisboa de 1858, "Conselhos Aos Jovens Literatos", de Charles Baudelaire, "O Crocodilo Que Voa - Entrevistas", de Luiz Pacheco, e "Bibliomania", de Gustav Flaubert.

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