Exposição com nova obra de Vasco Araújo quer ser "alerta à consciência"

Lisboa, 11 mar (Lusa) - O artista plástico Vasco Araújo, que inaugura na quarta-feira a exposição "Botânica", no Museu do Chiado, pretende fazer um "alerta à nossa consciência", com o conjunto de esculturas sobre a representação do "exótico" pela cultura colonial.

Lusa /

Intitulada "Botânica", a exposição tem curadoria de Emília Tavares, abre ao público na quinta-feira e ficará patente até 18 de maio, no Museu Nacional de Arte Contemporânea - Museu do Chiado (MNAC-MC).

Em declarações à agência Lusa, Vasco Araújo, que regressa à temática do colonialismo já abordado em obras anteriores, como "Debret", que mostrou no Museu da Cidade, em Lisboa, em 2010, explicou que iniciou a criação das esculturas em 2012, mostrou uma peça numa mostra coletiva e foi convidado a mostrar toda a série no Museu do Chiado.

"Botânica" reúne 12 esculturas apresentadas sobre mesas de três formatos - quadradas, redondas e retangulares - de várias dimensões, com uma série de fotografias, algumas de arquivo, emolduradas e que atravessam as mesas "como uma faca".

O artista tirou fotografias nos jardins botânicos em Lisboa, Porto e Coimbra, e no Jardim Tropical de Belém, mostrando as espécies botânicas exóticas que ali existem.

"Não mostram as plantas nacionais, mas as oriundas do Brasil, das Índias e África. O que demonstra a mentalidade do final do século XIX e início do século XX", comentou.

Vasco Araújo mostra também outras fotografias de arquivo sobre a relação entre os brancos ocidentais com negros e asiáticos, presentes em exposições universais chamadas zoos humanos, que decorreram nessa época na Alemanha, em França e no Reino Unido.

Recordou que também em Portugal, nomeadamente em 1934, no Porto, e em Lisboa, em 1940, na Exposição do Mundo Português, foram apresentadas pessoas de várias etnias, exibidas em reconstruções de cenários dos seus países de origem, como cabanas.

"Estas exposições tinham dois propósitos: mostrar o exótico ao mundo civilizado, sobretudo depois da partilha de África pelos europeus, e, por outro lado, demonstrar aos europeus que eram uma raça superior que dominava o mundo", apontou.

Vasco Araújo disse que aborda reiteradamente este tema nas suas obras porque "não devemos esquecer este passado, e também porque ele continua presente em muitas coisas, de formas diferentes".

"Aquilo que me interessa não é só a questão do racismo ou do exótico, mas sobretudo a relação com o outro. E com estas obras as pessoas podem questionar-se sobre isto", salientou.

Nascido em Lisboa, em 1975, Vasco Araújo estudou Artes Plásticas na Maumaus, Escola de Artes Pásticas e Fotografia, e Escultura na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Em 2002 foi galardoado com o Prémio EDP Novos Artistas.

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