Exposição de Frida Kahlo visitada por 18.000 em duas semanas
A exposição da pintora mexicana Frida Kahlo, inaugurada no Centro Cultural de Belém (CCB) a 24 de Fevereiro foi visitada por 18.000 pessoas em doze dias, de acordo com dados da organização.
De acordo com a mesma fonte, o CCB não tinha tanta afluência de público a uma exposição desde o final dos anos 90, nomeadamente com a mostra de pintura da artista Paula Rego, em 1997, que atraiu 62.000 pessoas.
Outras exposições naquele espaço que tiveram muitos visitantes foram, n o mesmo ano, a "Pop Art", com 35.400 pessoas, e "Viagem ao Século XX", com 91.500, realizada em 1998.
"Frida Kahlo" é a maior e mais completa exposição sobre a obra da pinto ra mexicana realizada nas últimas décadas na Europa, e Lisboa é a terceira e últ ima cidade a recebê-la, depois da Tate Modern de Londres e da Fundación Caixa Ga licia, em Santiago de Compostela.
A mostra consiste em 26 pinturas provenientes do Museu Dolores Olmedo, no México, onde se encontra a maior colecção mundial da artista, e também inclui fotografias, páginas do diário de Frida Kahlo e vestidos semelhantes aos que us ou.
A exposição tem atraído tanto público que ao fim-de-semana formam-se lo ngas filas para entrar, porque a permanência dentro do núcleo das obras está lim itada a 150 pessoas.
Por essa razão, o CCB decidiu cancelar as visitas guiadas ao fim-de-sem ana a esta exposição e durante a semana estas visitas são exclusivas para as esc olas.
Passados 51 anos sobre a sua morte, a pintura de Frida Kahlo (1907-1954 ) continua a despertar o interesse do público devido à sua arte controversa e à história da sua vida, marcada pelo sofrimento físico devido à doença e por amore s difíceis.
Entre 1926, quando pintou o seu primeiro auto-retrato, e a sua morte, q uase trinta anos depois, Kahlo produziu cerca de duas centenas de quadros.
A relação amorosa com o pintor muralista mexicano Diego Rivera despolet ou o lançamento da sua carreira, mas Frida Kahlo viria a consolidar a sua obra e a tornar-se na pintora mexicana mais conhecida em todo o mundo, conseguindo exp or os seus quadros, ainda em vida, nomeadamente no meio artístico de Nova Iorque .
A obra de Kahlo foi influenciada por uma época de grande ebulição polít ica e social, mas ficou marcada sobretudo pela vivência pessoal da artista, que fez de si própria o tema principal dos quadros que pintava.
Amante da cultura tradicional mexicana, em especial do legado Azteca, e sta artista autodidacta descreveu o seu drama pessoal através da figuração e de cores intensas, chegando a ser inserida pelos críticos no movimento Surrealista.
"Pensaram que eu era Surrealista, mas nunca fui. Nunca pintei sonhos, s ó pintei a minha própria realidade", disse um dia Frida Kahlo.
Aos 18 anos, quando seguia para a escola num autocarro, sofreu um acide nte de viação que a forçou a ficar acamada durante muito tempo, mas essa situaçã o infeliz proporcionou as condições para começar a pintar.
Devido aquele grave acidente, a artista passou grande parte da sua vida imobilizada, foi alvo de diversas operações, não conseguiu ter filhos, como mui to desejou, e padeceu sempre de dores fortes.
Este sofrimento é expresso em quadros como "A Coluna Partida" (1944), " O Camião" (1929), "Unos Quantos Piquetitos" (1935), "Hospital Henry Ford" (1932) e "Auto-Retrato com Macaco" (1945).
A exposição ficará patente até 21 de Maio, e pode ser visitada de terça -feira a domingo, entre as 10:00 e as 19:00 (última entrada às 18:15).