Exposição revela réplicas de antigos barcos tradicionais do Baixo Guadiana
Trinta réplicas de barcos tradicionais que navegaram no Baixo Guadiana até meados da década de 60 compõem uma exposição a inaugurar sexta-feira no antigo porto mineiro do Pomarão, no concelho alentejano de Mértola (Beja).
Com o título "Barcos Tradicionais do Baixo Guadiana", a mostra, será inaugurada às 17:30 e vai estar patente no Centro de Interpretação, até 26 de Agosto.
As peças em exposição foram criadas, nos últimos oito anos, pelas mãos e pelo "engenho" do algarvio e antigo agente da PSP José Murta, de 69 anos, que, segundo revelou hoje à agência Lusa, não se considera um artesão, "apenas alguém fascinado pela beleza do Guadiana".
"Sobretudo pelas embarcações usadas no Baixo Guadiana", frisou, que atravessa o concelho alentejano de Mértola (Beja) e os algarvios de Alcoutim, Castro Marim e Vila Real de Santo António (Faro).
Segundo contou José Murta à Lusa, tudo começou em 1971, quando, de férias em Portugal vindo de Angola, onde prestava uma comissão de serviço humanitário, deu a conhecer à esposa Guerreiros do Rio, a sua aldeia natal no concelho de Alcoutim.
"Ela ficou fascinada com o rio e com uma lancha usada na pesca da rede de colher", lembrou, precisando que, na altura, "prometeu" à esposa "que lhe iria fazer uma réplica em miniatura da lancha".
Vinte e oito anos depois, José Murta, já definitivamente em Portugal, cumpriu a promessa e fez a réplica da lancha, a primeira de 30 peças que constituem o seu espólio fluvial de barcos tradicionais que navegaram no Baixo Guadiana, até meados da década de 60 do século XX.
Entre o espólio, além da "promessa cumprida", José Murta destacou a maior peça, com um metro e 97 centímetros: uma réplica do "Alcoutim", um antigo cargueiro da Companhia União Fabril (CUF).
"Nas poucas vezes que o cargueiro entrou no Guadiana, foi para transportar adubo da CUF, no Barreiro, até Alcoutim e ao Pomarão, para fertilizar as terras do Nordeste do Algarve e do Baixo Alentejo", lembrou José Murta.
A peça mais pequena, com apenas 15 centímetros, é uma réplica de uma chata, "um pequeno barco usado antigamente como auxiliar de embarcações de pesca, como a traineira", explicou José Murta.
Réplicas de traineiras, enviadas (embarcações que fazem o vaivém entre o barco de pesca ao largo e a praia, trazendo peixe e levando mantimentos) e barcaças (embarcações largas destinadas a serviços auxiliares de embarcação) são outras das peças do espólio.
A exposição integra-se na iniciativa "Guadiana: um rio com passado e futuro", que decorre sexta-feira, nos territórios do Baixo Guadiana.
Promovida pela câmara e pela empresa municipal de turismo de Mértola, o evento, segundo o município alentejano, pretende "evidenciar a importância estratégica do projecto de navegabilidade do rio, para o desenvolvimento local e turístico do território do Baixo Guadiana".
Neste sentido, a iniciativa começa às 09:30 com uma subida do rio, desde Vila Real de Santo António até ao Pomarão, a bordo das embarcações "Vendaval" e "Saramugo".
Neste antigo porto mineiro alentejano, após a inauguração da exposição, será também apresentado o "Roteiro do Baixo Guadiana", da autoria de José Gomes.
No livro, lançado em Março deste ano e destinado aos navegadores e turistas que sobem o rio, o autor descreve o Baixo Guadiana da foz até Mértola, faz um enquadramento geográfico, histórico e ambiental e mostra como se navega no rio.
O livro inclui um CD com a carta electrónica do rio, que, aplicado num software de navegação, reproduz cartas de pormenor e fotografias orientadas por azimutes (caminhos e direcções).