Exposição sobre o processo SAAL inaugurada terça-feira no Canadá
Porto, 11 mai (Lusa) -- A exposição organizada pelo museu de Serralves "O Processo SAAL: Arquitetura e Participação 1974-1976" vai ser inaugurada na terça-feira no Centro Canadiano de Arquitetura, em Montreal, anunciou hoje o museu do Porto.
A exposição foi comissariada por Delfim Sardo e viaja agora até à instituição que vai acolher parte do acervo de Siza Vieira, arquiteto que também ele participou no Serviço Ambulatório de Apoio Local (SAAL), que se seguiu à Revolução de 1974.
Aquando da inauguração em Serralves, no final de outubro do ano passado, Delfim Sardo afirmou que "a razão de um interesse e de uma importância enorme de tratar o SAAL hoje tem a ver evidentemente com o revisitar questões fundamentais do 25 de Abril de 1974, agora que passaram 40 anos".
"O SAAL, de facto, é a cultura arquitetónica da revolução. É um momento muito importante na história portuguesa, é um momento também muito importante na história da arquitetura em Portugal", disse Delfim Sardo durante a apresentação da mostra que ficou exposta até fevereiro deste ano.
O SAAL surgiu na sequência da Revolução de 1974 por iniciativa legislativa do então secretário de Estado da Habitação e Urbanismo, Nuno Portas, tendo por objetivo envolver as populações que residiam em condições precárias na resolução dos seus problemas habitacionais, junto do Estado e das brigadas que punham o projeto no terreno.
A exposição selecionou 10 projetos desenvolvidos no âmbito do SAAL, "exemplares de diferentes práticas e abordagens" da iniciativa, explicou Delfim Sardo durante uma visita ao espaço da mostra, que inclui fotografias atuais, mas também da época, várias da autoria do arquiteto Alexandre Alves Costa, um dos envolvidos no SAAL.
Para além das imagens, a exposição conta também com maquetes dos projetos, com a indicação do que foi concluído e do que ficou por concluir (dos 10 escolhidos só o bairro do Casal da Figueira, em Setúbal, concebido por Gonçalo Byrne, foi finalizado), para além de cópias heliográficas dos projetos, uma técnica já obsoleta e que teve de ser recriada para esta exibição.