Fábio Porchat leva espetáculo a Moçambique e pensa em intercâmbios locais

Fábio Porchat leva espetáculo a Moçambique e pensa em intercâmbios locais

Fábio Porchat, um dos rostos mais conhecidos do humor brasileiro através do fenómeno Porta dos Fundos, quer aproveitar a primeira passagem por Moçambique para desenvolver intercâmbios com comediantes locais, à semelhança do que já fez em Angola.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

Em entrevista à Lusa, em Maputo, o ator e um dos criadores do sucesso televisivo e digital Porta dos Fundos visita Moçambique pela primeira vez para apresentar o espetáculo "Histórias do Porchat" em Nampula, hoje, e na capital, sábado, mas diz que a viagem vai além das atuações em palco.

Depois das experiências de colaboração desenvolvidas com humoristas angolanos, que passaram pelo Porta dos Fundos e por outros projetos televisivos no Brasil, Porchat admite que gostaria de criar pontes semelhantes com artistas moçambicanos.

"Tivemos a experiência com o Porta dos Fundos de fazer em Portugal o `Porta para o Milhão`, esse ano também vamos fazer um segundo especial lá para a RTP, mas em Angola fiz amigos angolanos que foram ao Brasil, trabalharam lá no Porta dos Fundos, fizeram um período de experiência lá, também gravaram esquetes, foram gravar o `Que História É Essa, Porchat?`, assistiram gravações e nos comunicamos sempre", afirmou à Lusa.

"Estamos sempre em contacto com o povo de Angola e agora com os moçambicanos, uma alegria", acrescentou, admitindo que em Moçambique os primeiros contactos já aconteceram logo à chegada a Maputo.

"Eu fiz um grande encontro assim que cheguei. Alguns dos comediantes, atores, estavam lá presentes. Eu tive uma conversa muito legal e a minha vontade é fazer esse intercâmbio também com Moçambique, que tem tanta gente bacana, talentosa e a fim de fazer comédia", disse, assumindo estar "muito animado" com a primeira vez no país.

Porchat é um dos criadores do Porta dos Fundos, produtora e grupo de humor fundado em 2012 que se tornou um fenómeno digital no Brasil e noutros países de língua portuguesa, reunindo cerca de 19 milhões de subscritores no YouTube e mais de 9,5 mil milhões de visualizações na plataforma.

A visita concretiza um desejo antigo do humorista brasileiro, que afirma ter recebido durante anos referências positivas sobre Moçambique.

"Na África eu já me apresentei em Angola e estava com muita vontade de ir a Moçambique, porque muita gente já tinha me dito que era lindo, que a comida era gostosa e que o público é muito caloroso e que gosta muito do Porta dos Fundos (...). Então eu botei Moçambique na minha lista e estávamos tentando achar a melhor data para ir, para também pegar o melhor momento aqui", contou.

Depois das apresentações em Moçambique, Porchat segue para Cabo Verde.

"A primeira apresentação é em Nampula e depois em Maputo. Então são duas apresentações em Moçambique e depois daqui a gente vai para Cabo Verde e aí eu me apresento na Praia e depois no Sal", explicou.

O humorista viaja acompanhado por familiares, transformando a digressão numa oportunidade para conhecer melhor o país.

"Estamos conseguindo aproveitar e se divertir ao mesmo tempo. Então é muito gostoso poder estar viajando num país na África que fala português, que nos entende, que sabe do nosso gosto".

No palco, Porchat apresenta um espetáculo construído a partir das experiências acumuladas ao longo de dezenas de viagens internacionais.

"Já fui para 79 países e aí gosto de viver experiências das mais diferentes e reunir as experiências mais divertidas, mais malucas, num `show` que já tem 500 mil pessoas, já assistiram esse `show` ao longo desses quatro anos que eu venho me apresentando", afirmou.

Segundo a sinopse do espetáculo, "Histórias do Porchat" transforma episódios vividos pelo humorista em diferentes países em histórias de humor apresentadas em formato de `stand-up`.

Porchat sublinha que optou por construir um espetáculo sem referências partidárias ou temas fraturantes.

"É um `show` totalmente não político, não tem nada de polarizado, não tem nada controverso. É (...) só sobre viagens, exatamente porque eu `tava` querendo que as pessoas voltassem a rir juntas, sem ter que pensar em preocupação nenhuma."

"Acho que isso faz toda a diferença para um `show` de humor. As pessoas estão rindo de verdade e totalmente entregues, sem pensar em nada polêmico."

A experiência de atuar para públicos lusófonos em vários continentes convenceu-o de que a comédia é uma linguagem comum.

"Todos os `shows` que eu fiz foram em português, mesmo nos continentes mais diversos, para brasileiros e portugueses especialmente, mas claro, também moçambicanos, angolanos e cabo-verdianos. E todos riem da mesma coisa. É muito impressionante", contou.

Acrescenta que a partir do palco o que vê e ouve são as mesmas risadas, independentemente do país.

"São as mesmas em todos os lugares, porque as pessoas têm as mesmas referências e riem dos mesmos pontos", admitiu.

Encantado com a receção encontrada em Moçambique, Porchat garante que esta dificilmente será a última visita: "Moçambique é daqueles países que eu nem cheguei e já quero voltar (...). Então, a sensação que me dá é que eu voltaria a qualquer minuto".

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