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Fadista Sara Correia "sente-se bem" em festival de música latina em Londres

Fadista Sara Correia "sente-se bem" em festival de música latina em Londres

A fadista portuguesa Sara Correia afirmou sentir-se "muito bem" por fazer parte do festival La Linea, em Londres, dedicado à música latina, iniciando uma série de atuações internacionais em 2026 para apresentar o novo álbum, "Tempestade".

Lusa /

Sara Correia vai abrir o festival com um concerto no centro cultural Barbican, em 20 de abril, num programa que inclui a mexicana Silvana Estrada, a peruana Renata Flores, a argentina La Yegros, a espanhola Queralt Lahoz e o brasileiro Zé Ibarra. 

"Eu sinto-me muito bem. O fado, para mim, cabe em qualquer parte do mundo e poder fazer parte deste festival é muito bom", afirmou a artista à agência Lusa, destacando a importância de levar o fado a novos públicos.

"Desde que eu possa cantar e mostrar o nosso fado pelo mundo fora, seja onde for, em que festival seja, acho que o fado merece estar fora deste nicho e estar mais envolvido dentro de todos os festivais, e é isso que eu tenho feito", vincou.

Esta será a segunda participação da fadista no evento londrino, depois da estreia em 2022. 

Ao longo da carreira, também já se apresentou no festival Udaipur World Music, na Índia, no Oslo World Fest e no Forde Festival, na Noruega, além de vários em Portugal. 

A fadista sublinhou a ligação à comunidade portuguesa quando faz concertos no estrangeiro, porque pode "matar uma certa saudade" através da música, mas está consciente de que as audiências são mistas. 

Por isso, tenta comunicar em inglês "para tentar chegar a toda a gente, porque é importante não só ouvirem-nos cantar, mas também haver uma explicação do que estamos a dizer".

"Eu tenho que explicar, não é? `I`m a traditional fado singer`, aquelas coisas todas e tentar aproximar as pessoas ao meu canto e explicar o que é esta alma de ser portuguesa, acho que é importante", afirmou, defendendo que "um artista tem que se desdobrar": "Acho que não é só cantar. Nós também temos de ter a outra parte de tentar explicar às pessoas o que é o fado."

Para Sara Correia, esse papel tem sido bem desempenhado pela nova geração de fadistas, mas salienta que a precursora na internacionalização do fado foi Amália Rodrigues, cantando em inglês, francês, italiano ou espanhol. 

Nesse sentido, não exclui nem cantar noutro idioma, nem fazer colaborações noutros estilos musicais, "desde que [se] sinta confortável com isso".  

"Acho que não temos de ser só uma coisa, eu não tenho de ser só fadista. Sinto que tenho muito para dar e acho que os discos também têm mostrado um bocadinho disso, ao juntar esta miúda que vem de um bairro de Lisboa mais conhecido por Chelas a uma mulher madura que é hoje e que tem tanto para contar das suas vivências", afirmou.

Sara Correia assume a influência de outros géneros musicais na forma como canta e garante ouvir "um bocadinho de tudo", enumerando Tom Jobim, Concha Wicca, Billie Eilish, Rosalia, Maria Betânia, Tom Jobim, Vinicius de Moraes.

"Estes artistas todos ajudam-me também a procurar a minha personalidade dentro do fado", afirmou. 

O concerto de 20 de abril no centro cultural Barbican é o primeiro de uma série de datas de Sara Correia no estrangeiro em 2026, nas quais será acompanhada por Ângelo Freire, na guitarra portuguesa, Diogo Clemente, na viola, Frederico Gato, na viola baixo, e Joel Silva, na percussão.

Entre 20 e 24 de maio, Sara Correia atua em Amesterdão, Eindhoven, Utreque e Haia, nos Países Baixos, seguindo depois para Paris, onde canta em setembro na sala Folies Bergère. 

No final do ano revelou que vai estar cerca de um mês na América Latina, com espetáculos previstos no Brasil, Argentina, Colômbia, Panamá, Uruguai, Chile e México.

A fadista vai promover o mais recente álbum, "Tempestade", editado no final de fevereiro, o quarto após "Sara Correia" (2018), "Do Coração" (2022) e "Liberdade" (2024). 

Em anos anteriores, cantou em países como Itália, Alemanha, Bélgica, Espanha e Turquia, consolidando um percurso internacional.

"O fado é o grande cartão de visita do nosso país, e como fadista, como cantora, represento os dois, porque o fado é português", reivindicou.

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