"Fados" de Carlos Saura estreia em Setembro no Festival de Toronto

O filme "Fados", de Carlos Saura, "estreará no início de Setembro no Festival de Toronto", disse à Lusa o produtor português Ivan Dias.

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O produtor indicou que à estreia no Festival de Toronto (Canadá), que se realiza de 06 a 15 de Setembro, "seguem-se vários festivais e a estreia portuguesa".

Ivan Dias não adiantou a data da estreia nacional de "Fados", co-produzido pela Câmara de Lisboa, através da EGEAC (Empresa Municipal de Equipamentos e Animação Cultural), que participou com um milhão de euros.

Além da Câmara de Lisboa, co-produzem o filme, com um orçamento três milhões de euros, a Zebra Productions, de Saura, a Duvideo, de Ivan Dias, e a Fado Filmes, de Luís Galvão Teles, incluindo ainda as participações de França e Brasil.

O filme tem a duração de 90 minutos e participam nele, entre outros, Argentina Santos, Carlos do Carmo, Ricardo Rocha, Camané, Mariza, Cuca Roseta, Chico Buarque, Caetano Veloso e Lila Downs.

Cada um destes artistas tem momentos a solo. Por exemplo, Argentina Santos, acompanhada por Manuel Mendes (guitarra portuguesa) e Miguel Carvalhinho (viola), canta o "fado Vitória" e Camané os fados "Quadras" e "Sopra o vento demais", neste último acompanhado por seis bailarinas.

Numa cena final, onde se tenta "recriar a Tasca do Chico", ao Bairro Alto, em Lisboa, cantam em conjunto Ana Sofia Varela, Carminho, Maria da Nazaré, Vicente da Câmara, Ricardo Ribeiro, e Pedro Moutinho.

A primeira participação musical será de Kola San Jon, um grupo da Cova da Moura (Amadora) que interpreta "San Jon".

O brasileiro Toni Garrido abre o leque das participações internacionais, que incluem a cabo-verdiana Lura, a mexicana Lila Downs, os brasileiros Caetano Veloso e Chico Buarque e o espanhol Miguel Poveda, que partilha com Mariza a interpretação de "Mi fado mio" ("Meu fado meu", de Fernando Pessoa).

Mariza, embaixadora da candidatura do fado à UNESCO, interpreta também "Transparente" (Paulo Abreu Lima/Rui Veloso), devendo bailar com Patrick De Bana, segundo o guião.

Carlos do Carmo, também embaixador da candidatura do fado, interpreta "O homem na cidade" (Ary dos Santos) e partilha com Chico Buarque "Fado tropical".

O filme presta homenagem a quatro fadistas desaparecidos: Severa, Alfredo Marceneiro, Lucília do Carmo e Amália Rodrigues, e ao guitarrista e compositor Armandinho.

Maria Severa, falecida em 1846, é evocada por Catarina Moura, acompanhada pela sanfona de Fernando Meireles e por Cuca Roseta, acompanhada por Mário Pacheco (guitarra portuguesa).

Segundo o guião, serão projectadas imagens do filme "A Severa" (1931), de Leitão de Barros, e usado material iconográfico cedido pelo investigador Luís de Castro, além do quadro "O fado", de José Malhoa.

Numa das suas estadas em Lisboa, o realizador espanhol, que já assinou películas como "Sevillanas" (1992), "Flamenco" (1995) e "Tango no me dejes nunca" (1998), afirmou que esta seria uma "película sentida e emotiva" e que se inseria "na linha do filme `Flamenco`".

Quarta-feira, em entrevista ao jornal El Pais, Carlos Saura afirmou que no filme está o seu amor por Portugal "e o talento musical que ali se esconde".

O filme, com imagens captadas em Lisboa por Eduardo Serra, foi maioritariamente rodado em estúdio, em Madrid.

Quarta-feira, em Cartagena (Sudeste de Espanha), decorreu um espectáculo intitulado "Casa de fados" que Ivan Dias qualificou de "oficioso", que se baseou no filme.

O espectáculo integrou-se no Festival Mar de Musicas e contou com a participação de Carlos do Carmo, Ricardo Ribeiro, Vicente da Câmara, Maria da Nazaré, Carminho, Ana Sofia Varela e Pedro Moutinho.

Outro espectáculo será produzido pelo promotor espanhol Cruz Gorostegui e pelo músico João Pedro Ruela, com Mariza, Carlos do Carmo, Camané, Mário Pacheco e Cuca Roseta, em que participa o coreógrafo do filme Patrick Debana.

Segundo Ivan Dias, este espectáculo, ainda sem data marcada, "pretende ser mais arrojado do ponto de vista cénico e estético".

O espectáculo "Casa de fados" fará também uma digressão no próximo ano através da Rede Nacional de Teatros de Espanha, adiantou Ivan Dias.

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