"Fame" em português estreia hoje no Pavilhão Atlântico em Lisboa
"Fame", o musical sobre uma escola de artes performativas de Nova Iorque, estreia hoje em Lisboa com produção portuguesa, que mantém apenas da versão original as canções em inglês.
Primeiro foi o filme sobre a New York High School of Performing Arts, depois a série televisiva e finalmente o musical.
A história de um grupo de alunos com vontade de vencer no mundo do espectáculo que tanto sucesso fez nos anos 80 é reinventada em português, no Pavilhão Atlântico até domingo.
Apenas as músicas, como "Hard Work" ou "There She Goes", são cantadas em inglês. Os restantes textos estão traduzidos para português.
"Fame" é apresentado não por uma companhia ou grupo de actores, mas por uma equipa de 92 pessoas envolvidas numa produção de cerca de 500 mil euros.
O grupo produziu um espectáculo em português porque "para ser em inglês era preferível vir uma companhia de fora", disse à Lusa o produtor, Francisco Santos.
O responsável diz que sentiu uma "responsabilidade social" para produzir este espectáculo, alegando que no campo do musical clássico internacional "não havia nada em português".
Francisco Santos, que aos 43 anos decidiu "realizar um sonho antigo", coordena uma equipa de quem fala como "talentos que se iam perder a dar aulas e que é preciso aproveitar".
Alguns são profissionais da dança e do canto, mas não do teatro-musical.
Sara Lima, a coreógrafa, diz que "em Portugal não há formação" deste género, referindo que se licenciou em dança e agora dá aulas.
Durante o espectáculo dança, canta e representa.
Muda de roupa 15 vezes e outras tantas de maquilhagem, para interpretar Cármen Diaz, uma jovem ambiciosa que morre no final.
Este corrupio não a assusta, já que "no palco, a adrenalina é tanta que nem se sentem os nervos", garante.
No entanto, para outros intérpretes como Andreia Moniz, Miss Bell, a professora de dança, "começa a crescer aquele nervoso miudinho que dá força para fazer isto".
Aos 26 anos, a médica de profissão garante que a interpretação "não é um passatempo porque implica muitas horas de trabalho árduo".
Compara o espectáculo à medicina quando diz que ambos tratam de "relações entre pessoas e transmissão de emoções e sentimentos", fala da interacção entre público e artista como entre médico e paciente.
No Porto, onde o espectáculo esteve três dias no Coliseu, em Novembro, Andreia diz ter sentido "um grande envolvimento do público".
Foi o "fabuloso feedback" que o espectáculo recebeu no Porto que levou o produtor a trazê-lo para Lisboa.
Francisco Santos disse à Lusa que "os meios foram triplicados e a equipa reforçada" para as apresentações em Lisboa.
"A maior parte do trabalho já está feito e agora há que estar confiante na equipa", diz João Santos, um dos bailarinos que também canta e representa.
A personagem que interpreta é Tyrone Jackson, um bailarino negro, com problemas na leitura e que prefere o breakdance ao ballet.
João Santos acredita no "contínuo aperfeiçoamento" e prevê que em Março, quando o espectáculo estiver no Europarque, em Santa Maria da Feira, "vai ser ainda melhor".
Na estreia do "Fame" em Lisboa será lançado um CD com a gravação do espectáculo português, mas só posteriormente o disco será comercializado.
O criador do "Fame" David de Silva e a Music Theatre International autorizaram a gravação do CD que até agora só tinha sido gravado pelo elenco britânico de 1995.
A presença do criador do musical, David de Silva, na estreia esteve confirmada até terça-feira à noite, mas a sua deslocação a Lisboa acabaria por ser cancelada.