Fausto encerra trilogia da diáspora "Em busca das montanhas azuis", disco a editar segunda-feira

Lisboa, 17 nov (Lusa) -- Vinte e três composições, uma das quais instrumental, integram "Em busca das montanhas azuis", o duplo álbum do músico Fausto, que chega ao mercado na segunda-feira.

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Com este duplo CD, que integrará ainda um DVD com imagens das gravações numa edição limitada, Fausto Bordalo Dias encerra a trilogia "Lusitana Diáspora", iniciada em 1982 com o álbum "Por este rio acima" e continuada em 1994 com "Crónicas da terra ardente".

O instrumental "Aproximação à terra" é o tema com que Fausto abre o disco que conclui a trilogia, baseada nas viagens relatadas na "Peregrinação", de Fernão Mendes Pinto, obra presente desde "Por este rio acima", que a crítica considera um dos álbuns mais marcantes da música popular portuguesa das últimas décadas.

Depois do tema instrumental, que ilustra a aproximação dos portugueses ao continente africano, Fausto começa por interpretar "E fomos pela água do rio", num ritmo lento, a que se sucede "Velas e navios sobre águas", com um ataque mais forte e uma batida mais rápida, seguindo-se "E viemos nascidos do mar", uma sucessão de canções nas quais impera a inspiração das chulas e dos malhões da expressão tradicional do Norte de Portugal.

Alguns dos temas que integram o primeiro disco do duplo álbum não serão totalmente desconhecidos do público, uma vez que o cantor os apresentou no espetáculo do Centro Cultural de Belém, em Lisboa, em junho de 2010. Dos temas então interpretados, destaca-se ainda "Por altas serras de montanhas", que encerra o primeiro CD.

Além dos temas que Fausto mostrou ao público no espetáculo de junho do ano passado, o primeiro CD do duplo álbum inclui também "A mais débil das lágrimas", "De um crescendo dourado" e "Bárbaras iguarias", intervalando ritmos mais lentos e outros mais intensos.

"Ocultam à claridade da luz" é a canção que abre o segundo álbum, sobre tema lento, seguindo-se "A enxurrada", canção em que o ritmo volta a aumentar.

Das onze canções que preenchem o segundo disco, destaque ainda para "Pelos rios de Cuama", em que o autor aborda o rio Zambeze e os "cinco braços" deste.

Segue-se "Nesta selva do Guinéu", um tema em que o autor enumera uma série de nomes de etnias e de povos africanos com que os portugueses se depararam quando chegaram a África.

"No brasileiro da Mourama", "Tempo claro e vento galeno" e "Quase em tons de cristal" são as canções seguintes, seguindo-se "De costa à contracosta", na qual é relatada a incursão dos portugueses nas regiões de Cazembe e Tete, em Moçambique.

"O perfume das chuvas" é a canção com que Fausto termina a trilogia sobre a diáspora portuguesa, um tema no qual o cantor fala de uma planta ameaçada que só existe no deserto da Namíbia e em Angola.

De acordo com uma nota da editora, "a conclusão do tríptico reforça a importância máxima da criação de Fausto. Não só num formato de retrospetiva da história de Portugal, mas incidindo muito profundamente no tempo presente e nas relações mantidas entre Portugal e o continente africano, num momento de reflexão sociológico, musical e político que sempre fez parte do código de composição de Fausto Bordalo Dias".

O comunicado da editora acrescenta que este novo disco de Fausto "eleva o patamar para uma nova descoberta de abordagens à música tradicional portuguesa, num trabalho intenso que Fausto tem mantido ao longo da sua carreira".

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