"Felizmente há luar!", de Sttau Monteiro, em cena em Londres
A peça "Felizmente há luar!", do dramaturgo Luís de Sttau Monteiro, sobe à cena no teatro de Greenwich, em Londres, marcando a estreia do autor no Reino Unido.
De acordo com a encenadora, Alice de Sousa, que adaptou e produziu a obra, esta será também a primeira vez que uma peça do escritor português será representada em língua inglesa.
"É uma estreia absoluta, porque ele nunca foi representado em Londres, nem sequer em inglês", disse a encenadora à agência Lusa.
A responsabilidade da iniciativa é da companhia de teatro Galleon, dirigida por esta portuguesa, que desde 1989 tem trazido regularmente a Londres as obras de vários autores portugueses.
"São alguns dos melhores e mais conhecidos nomes da nossa literatura, mas que não são conhecidos no Reino Unido e por isso nós damos a conhecer desta forma, através do teatro", explicou.
As peças são sempre em inglês, indicou ainda Alice de Sousa, que já passou aos palcos de Londres obras de Almeida Garrett, Eça de Queiroz, Júlio Diniz e Bernardo Santareno, entre outros.
"Os maiores sucessos entre a crítica e o público, até agora, foram sem dúvida nenhuma `Os Maias` e `O Primo Basílio`, do Eça de Queirós, e a história de Inês de Castro, que também foi uma adaptação minha", realça a produtora, assumindo o risco da autoria.
"Felizmente há luar!", de Sttau Monteiro, estará em palco até ao dia 11 de Março, em 24 sessões que já estão a ser preparadas há vários meses.
"Estou confiante nos resultados, porque é uma peça que tem muito dos tempos actuais. O horror humano, a tirania dos líderes políticos, a injustiça... tudo são referências que as pessoas conhecem e identificam na actualidade", disse Alice de Sousa.
O facto de ser uma obra centrada em episódios da história portuguesa também não é visto pela produtora como um obstáculo para que o público inglês entenda o conteúdo.
Na sua opinião, "é uma peça que comunica muito bem, que é fácil de entender, porque é verdade que se passa em Portugal mas podia ter sido aqui, na Escócia, na Irlanda católica ou em muitos outros sítios".
"O importante - realçou - é que é uma obra política, com um sentido universal e também com uma mensagem muito humana, de amor e injustiça, que o público facilmente entenderá".