Festival Atlantic Waves vai reduzir música portuguesa e apostar em artistas internacionais em 2008
O Festival Atlantic Waves, que desde 2001 divulga a música portuguesa no Reino Unido, vai a partir do próximo ano dar mais espaço a artistas inovadores de outros países e afirmar-se como um evento internacional.
"O festival do próximo ano [2008] será mais internacional, não vai ser tão centrado na música potuguesa", referiu à agência Lusa Miguel Santos, que desde o início está ligado à organização do festival.
O objectivo é tornar o festival um grande evento para a "descoberta de novas formas de música e de estar na música" na capital britânica, algo que Miguel Santos acredita faltar em Londres.
"Queremos assumir-nos como um grande festival de música exploratória e inovadora, músicas que tragam algo de novo, e a única forma de crescer é investir na participação internacional", sustentou.
O mesmo responsável assegurou que a música terá sempre um papel de destaque e ocupará "pelo menos um terço" do programa, mas "haverá uma maior exigência sobre a participação portuguesa".
"Continuar centrado em Portugal limita o crescimento do Festival, que continua a ser visto como um festival de música portuguesa", assinalou.
Segundo Miguel Santos, o novo formato do Atlantic Waves vai ser "uma forma mais subtil de promover a música portuguesa".
A transição já começou este ano com a alteração do subtítulo do festival para "Festival Internacional de Londres de música exploratória", depois de ter começado como um festival de "Música exploratória de Portugal".
A ambição de Miguel Santos é sustentada pelo prestígio que o festival já tem, nomeadamente pelo interesse da imprensa, parcerias com as revistas especializadas "Wire" e "Songlines" e o reconhecimento das autoridades culturais britânicas, como o Arts Council.
A edição de 2006 foi, na sua opinião, "o culminar" do festival, quando Mariza esgotou a lotação do Royal Festival Hall, uma das salas mais prestigiadas da capital, depois de se ter estreado em concerto no Reino Unido pela mão do Atlantic Waves, em 2003.
Nas edições anteriores do Atlantic Waves passaram, entre outros, Madredeus, Mísia, Telectu, Pedro Carneiro, Zé Eduardo, The Raincoats, Lula Pena, Maria João e Mário Laginha, Rodrigo Leão, Blasted Mechanism, Manuel Mota ou Margarida Garcia.
Nas sete edições que organizou, incluindo a de 2007, Miguel Santos procurou "incentivar colaborações e "amizades" de portugueses com artistas internacionais", algumas das quais acabaram por se repetir noutros países.
Recebeu também convites para realizar o festival em Berlim e Luxemburgo, mas recusou por "falta de capacidade", pois diz ter muito do tempo ocupado noutras actividades.
Além de organizador do Festival, Miguel Santos exerce funções como director-adjunto para o programa das relações culturais anglo-portuguesas na filial da Fundação Calouste Gulbenkian no Reino Unido, que financia este evento.
Com os olhos postos já na próxima edição do Atlantic Waves, em 2008, Miguel Santos manifestou a intenção de "dar destaque à música folk e manter a música electrónica".
Embora o programa ainda não esteja delineado, mostrou o desejo de ter artistas da China, Coreia do Sul, Quirguistão e, naturalmente, Portugal.