Festival Celtirock em Vilar de Perdizes no fim-de-semana

O concelho de Montalegre vai invocar as suas raízes celtas através do Celtirock, um festival de música que decorre entre sexta-feira e domingo na pequena localidade de Vilar de Perdizes, anunciou hoje a organização.

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Organizada pela Associação Invensons, a quarta edição do Festival Celtirock vai ter pela primeira vez como palco a aldeia de Vilar de Perdizes, conhecida pelos Congressos de Medicina Popular organizados pelo padre António Fontes.

As edições anteriores decorreram na vila de Montalegre.

O Celtirock alia a tradicional música celta ao actual rock, ao mesmo tempo que permite aos participantes provarem os tradicionais chás, licores e ervas medicinais da região do barroso.

Em Vila de Perdizes poderá ser ouvida desde a tradicional música dos portugueses Banda Futrica e Gaiteiros de Pitões até à pureza celta irlandesa dos alemães Paddy B & Tom Hamilton, às actuais tendências folk-jazzísticas dos portugueses Ginga e ao minimalismo dos galegos Anxoblastrio.

A organização pretende a participação mais activa na planificação e desenvolvimento das diversas actividades, justificando que a população demonstra uma "grande abertura relativamente a novas propostas culturais, reconhecendo a sua importância no desenvolvimento sócio-económico local".

Durante as tardes de sábado e domingo, haverá animações de rua, jogos populares e visitas guiadas ao património construído da aldeia, como o forno do povo ou o lagar.

Os visitantes poderão observar o vasto património arqueológico situado na zona envolvente, designadamente o Penedo de Ramezeiros, Penedo de Caparinho, Altar da Panascrita, Olas de S. Marinha.

Os mais resistentes poderão ainda, ao fim da noite de sábado, provar a deliciosa queimada esconjurada pelo padre Fontes, que na antiga tradição celta tinha como objectivo que os vivos não fossem contaminados pelos mortos.

A queimada será cozinhada pelo sacerdote, ao mesmo tempo que vai proferindo uma ladainha pretendend simbolizar a "invocação de tudo quanto é mal, que depois arde dentro da caldeira da queimada num calor que se assemelha ao do Inferno".

"Sapos e bruxos, mouchos e crujas, demonhos, trasgos e dianhos" são os primeiros a ser invocados pela ladainha do padre Fontes, que, depois de preparar a queimada com aguardente, limão e açúcar, a vai dar a beber a todos os presentes.

Para quem acredita, a queimada pode livrar todos os males de embruxamentos, feitiços e maus-olhados.

As queimadas também se faziam nas aldeias, nas noites frias de Inverno, para curar as pessoas dos resfriados, constipações e até de dores de garganta.

De acordo com os historiadores, no último milénio antes de Cristo toda a região do Barroso foi povoada pelo povo celta, uma presença que se comprova pelos castros que ainda hoje estão espalhados por este território.

A região de Montalegre é ainda herdeira de uma larga tradição comunitária celta, de onde se destaca o boi do povo ou o forno do povo.

Pode-se afirmar que o povo barrosão exibe actualmente ainda algumas características célticas, tais como feições físicas, um carácter violento e orgulhoso, que se revelam também nas manifestações lúdicas e culturais.

O Celtirock conta com o apoio do Instituto Português da Juventude, da Delegação Regional da Cultura do Norte, da Freguesia de Vilar de Perdizes e da Associação de Defesa do Património de Vilar de Perdizes.


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