Festival das Artes evoca compositores de Coimbra em concerto na Sala dos Capelos
Coimbra, 25 jun (Lusa) - O Festival das Artes, que se realiza de 18 a 29 de julho, realiza um concerto na Sala dos Capelos da Universidade de Coimbra, onde se irão interpretar obras do século XVI a XVIII de compositores da cidade.
O concerto, dirigido pelo maestro Jonathan Ayerst, com o ensemble vocal Capella Duriensis, será um dos mais de 30 eventos realizados no âmbito do Festival das Artes, que, além da música, conta com conferências, um ciclo de cinema e gastronomia, entre outras atividades.
A apresentação da Capella Durienses, com a qual o maestro britânico gravou "O rito de Braga", num primeiro volume dedicado à música sacra portuguesa, traduz-se num espetáculo que conta ainda com encenação de Ana dos Santos, para abordar autores como Fernão Gomes Correia, compositor da Sé de Coimbra, no século XVI, e Carlos Seixas, que viria a ser mestre da corte de D. João V.
O concerto realiza-se na Sala Grande dos Actos da Universidade, conhecida por Sala dos Capelos, espaço que o presidente do festival, José Miguel Júdice, considerou "o sacrário do saber".
Ainda no plano musical, o festival, que tem como tema o património (Alta, Sofia e Universidade foram classificadas Património Mundial da Humanidade em 2013), promove um concerto da Orquestra Metropolitana de Lisboa, no anfiteatro Colina de Camões, a 20 de julho, onde também irá atuar a Orquestra Chinesa de Macau, no dia seguinte.
A Orquestra Clássica do Centro aborda igualmente a temática do festival, reinterpretando o tema "Coimbra", de Raul Ferrão, que, "logo a seguir à `Garota do Ipanema`, é a peça em língua portuguesa com mais versões", sublinhou José Miguel Júdice, que contabilizou "mais de 280 versões" dessa música.
A 23 de julho, o ator André Gago, em conjunto com três músicos, irá apresentar o espetáculo "A flor do lácio", em torno da "língua portuguesa", explicou o responsável.
O Conservatório de Música de Coimbra apresenta "Concerto da Juventude" a 24 de julho, no mesmo dia em que o pianista Raúl da Costa se apresenta, em recital, também no anfiteatro Colina de Camões.
O festival conta ainda com duas conferências em torno do património, um ciclo de gastronomia, que se centra no Douro e na dieta mediterrânica (ambos Património Mundial), com concertos de jazz, no barco "Basófias", no Mondego, e uma exposição sobre a zona de Coimbra classificada Património Mundial, além de um programa dedicado ao público infantil.
A 6.ª edição do Festival das Artes teve um orçamento de "120 a 130 mil euros", tendo tido em anos anteriores "muito mais dinheiro", explicou José Miguel Júdice, durante a apresentação do programa, que se realizou hoje, na Quinta das Lágrimas, em Coimbra.
Apesar da redução no orçamento, "a qualidade não foi afetada", assegurou, sublinhando que "há um entusiasmo" por parte dos artistas em tocar na Quinta das Lágrimas.
José Miguel Júdice frisou a importância do apoio da Câmara Municipal de Coimbra (CMC) e da Direção Regional da Cultura do Centro (DRCC) e o esforço "para se fazer sopa a partir de pedras".