Festival de Teatro de Almada começa com espectáculo de marionetas sobre Beckett
O 23º Festival Internacional de Teatro de Almada começa hoje com a apresentação de "Nada ou o Silêncio de Beckett", espectáculo de marionetas que abre o mini-ciclo temático sobre o dramaturgo irlandês Samuel Beckett (1906-1989).
Até ao próximo dia 18 vão passar pelo certame, com extensões a Lisboa, 25 produções, 12 das quais estrangeiras.
Espanha, França, Bélgica, Itália, Reino Unido, República Checa, Brasil, Colômbia e Senegal são, além de Portugal, os países participantes.
Organizado pela Companhia de Teatro de Almada, o festival estreia em Portugal a primeira encenação estrangeira da peça "Guerras do Alecrim e Manjerona", de António José da Silva, o Judeu, a cargo da companhia checa Mestske Dvadlo Zlín.
A programação destaca também a homenagem ao Observatório das Actividades Culturais, que completa dez anos, e o regresso da companhia italiana Piccolo Teatro di Milano, cinco anos depois da sua segunda participação no certame.
"Nada ou o Silêncio de Beckett", pelo Teatro de Marionetas do Porto, é o primeiro espectáculo com que o festival assinala o centenário de nascimento do autor irlandês.
Seguem-se, do próprio dramaturgo, as peças "à Espera de Godot", pelo Teatro Meridional, "Dias Felizes", pelo Piccolo Teatro di Milano, e "Todos os que Caem", pela Comuna.
O cartaz de espectáculos realça ainda a estreia nacional de "Êxodo", do autor, actor e director italiano Pippo Delbono, e de "Dom, Mecenas e Adoradores", de Alexandre Ostrovski, numa encenação de Bernard Sobel para o Théâtre de Gennevilliers - Centro Dramático Nacional de França.
Este último trabalho foi distinguido em Maio com o Grande Prémio da associação francesa de críticos de teatro.
Entre as outras estreias contam-se "Esta Noite, Arsénico!", do italiano Carlo Terron, pela Companhia de Teatro de Almada, "A Mata", do norueguês Jesper Halle, pelos Artistas Unidos, e "Na Solidão dos Campos de Algodão", de Bernard-Marie Koltès, pela Compagnie du Tournesol (França).
O novo Teatro Municipal de Almada, sem actividade de cartaz desde que foi inaugurado há cerca de um ano, volta a abrir ao público durante o certame para quatro produções.
Nenhuma delas, porém, é da Companhia de Teatro de Almada, grupo residente, cabendo aos Artistas Unidos, sem espaço próprio para representar, o maior número de apresentações na nova sala de espectáculos da cidade - 12 no total.
A edição 2006 do festival encerra com "Num Lugar de Manhattan", pela companhia de teatro catalã Els Joglars, repetente no evento.
Exposições (entre as quais uma dedicada ao cenógrafo português António Lagarto), colóquios, música e dança são algumas das actividades complementares previstas na programação.
Os espectáculos serão apresentados em diversos palcos de Almada (Fórum Romeu Correia, Escola D. António da Costa e teatros municipais) e de Lisboa (CCB, Teatro Nacional D. Maria II, Culturgest, Teatro Municipal de S. Luiz e Teatro do Bairro Alto).