Festival em Washington mostra países ibéricos além da crise

Washington, DC, Estados Unidos, 23 fev (Lusa) -- A curadora de "Iberian Suite", a mostra de criação contemporânea ibérica que acontece em março, em Washington, garante que o festival "vai mostrar uma face dos países ibéricos além da crise".

Lusa /

"Começámos a falar na possibilidade deste festival em 2011, quando todas as notícias sobre Portugal e Espanha eram sobre a crise e as dificuldades económicas", disse à agência Lusa a curadora do evento, Alicia Adams. "Nos últimos anos, construímos um programa que vai mostrar uma face dos países ibéricos além da crise".

Durante três semanas, de 03 a 24 de março, o Kennedy Center acolherá uma mostra cultural intitulada "Iberian Suite: Arts Remix Across Continents", um evento de divulgação da cultura de Portugal e de Espanha, que contará com a participação de artistas da lusofonia e da América Latina.

Alicia Adams diz que, em finais de 2011, "a resposta dos dirigentes máximos do Kennedy Center e dos seus patrocinadores [à ideia da mostra] foi, de imediato, positiva, porque viram uma possibilidade de mostrar a riqueza cultural destes países num momento particularmente difícil."

Nos últimos dois anos, a responsável visitou Lisboa e Porto, falou com agentes culturais, diplomatas, políticos e chegou a um extenso programa que levará, até ao Kennedy Center, pessoas como o fadista Camané, o artista urbano Alexandre Farto - Vhils, a companhia de teatro Mundo Perfeito e o escritor Gonçalo M. Tavares.

"Escolhemos sempre países ou regiões que não têm uma presença significativa na cena cultural da cidade e o nosso único critério é a alta qualidade dos artistas, que têm de ter gabarito internacional, mas podem pertencer a uma nova geração, que gostamos de mostrar e promover", explicou Adams.

O Kennedy Center espera que o festival mobilize entre 200 mil e 400 mil visitantes e espectadores, chegando a mais de um milhão de pessoas, através de plataformas "online" e ações de formação junto das escolas.

"Vamos ter mais de 600 artistas, vindos de 23 países e cinco continentes", disse à Lusa a diretora da programação internacional do Kennedy Center, a brasileira Gilda Almeida.

Almeida garante que "existe, definitivamente, uma conversa sobre o festival nas redes sociais e uma grande expectativa por toda a cidade."

"Esperamos esgotar todos os grandes eventos", disse.

Alicia Adams diz que tem notado, sobretudo, muito interesse das comunidades imigrantes.

"As pessoas estão muito orgulhosas por verem a sua cultura representada em Washington, com um evento de tão alta qualidade, e querem trazer os filhos e os amigos para lhes mostrar a música, a arte, a dança, a literatura dos países onde nasceram", garante a curadora.

Da programação teatral faz parte, por exemplo, a interpretação das peças "Ode Marítima", de Álvaro de Campos/Fernando Pessoa, por Diogo Infante e João Gil, "Contos em Viagem - Cabo Verde", pelo Teatro Meridional, "Três dedos abaixo do joelho" e "By Heart", da companhia Mundo Perfeito, e "What I heard about the World", pela Mala Voadora, com a companhia inglesa Third Angel.

Os arquitetos Eduardo Souto de Moura e Álvaro Siza Vieira são os autores de uma instalação chamada "Jangada de Pedra", que estará patente em frente ao centro, e outra instalação, um elétrico de cortiça em tamanho real, criado pelo artista plástico e designer Nuno Vasa, que transporta a "Mensagem", de Fernando Pessoa, estará em exposição numa das entradas do centro.

Uma terceira instalação em pedra, em que se exibem manequins do mundo inteiro, inspirados em temas portugueses e espanhóis, terá a presença dos designers portugueses Storytailors.

Estão previstos ainda concertos de Carminho e Camané, acompanhados pela National Symphony Orchestra, assim como atuações de Rodrigo Leão, Sofia Ribeiro, Luísa Sobral, The Gift e António Zambujo.

Na cerimónia de abertura, a 03 de março, vão participar a fadista Carminho, a companhia brasileira de dança Grupo Corpo, o saxofonista moçambicano Moreira Conguiça, a cantora mexicana Eugenia León, Arakaendar Choir and Orchestra (Bolívia/Reino Unido) e os bailarinos Ángel and Carmen Corella, de Espanha.

No jantar inaugural será ainda apresentado o trabalho do artista de "novos media" Pedro Zaz que, a convite do Arte Institute, desenvolveu uma apresentação vídeo.

O artista Alexandre Farto, conhecido como Vhils, fará um retrato de Fernando Pessoa, a partir de páginas de livros do poeta, e Manuela Pimentel irá apresentar um projeto visual a partir do azulejo português.

 

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