Festival Évora Clássica mostra música e tradições culturais do Oriente
A música do longínquo Oriente, conjugada com a arte indiana para o teatro de marionetas e os malabarismos com facas, preenchem a edição deste ano do Festival Évora Clássica, que arranca hoje na cidade alentejana.
A iniciativa, que começa hoje à noite e se prolonga até sábado, é organizada pela Casa Cadaval e traz a Évora o "exotismo" do Oriente, num ano em que a cidade assinala 20 anos como Património Mundial declarado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
Esta 12/a edição do Festival Évora Clássica, realça hoje a organização, vai proporcionar aos habitantes e visitantes da cidade "cinco dias de música tradicional oriental", com espectáculos marcados por "uma grande diversidade de artistas" de países do Oriente.
Bósnia, Mongólia, Índia, Líbano, Taiwan, Turquia e Uzbequistão são alguns dos países representados, este ano, nas "sonoridades" do festival, cujos concertos decorrem no Jardim do Paço, no Palácio Cadaval, transformado em autêntico "Salão de Música", e na Igreja dos Lóios.
Lili Buttler, cantora cigana muito reconhecida na "cena" musical balcânica, surge acompanhada pelo Mostar Sevdah Reunion, o grupo mais famoso da Bósnia-Herzgovina, já comparado ao Buena Vista Social Club, para o espectáculo inaugural do certame, marcado para as 22:00 de hoje.
O público de Évora continua, quarta-feira, às 18:30, a ser transportado para países longínquos, desta vez para a Mongólia, representada por Tserendaava, mestre no canto tradicional do estilo "Kh¸¸mii", que consiste numa combinação de sons guturais e velados, inspirada na Natureza.
Também no segundo dia do festival, às 20:00, sobem ao palco as Bhopas Nayuakes Marionettes, que protagonizam o teatro de marionetas através do qual a casta dos Bhats é muito reconhecida no Rajastão, na Índia.
O último espectáculo de quarta-feira (22:00) dá a conhecer o projecto Terres Turquoises, surgido em 1994 e fruto da reunião do Ensemble Constantinople, grupo que presta grande atenção às tradições do Médio e Próximo Oriente, com a vocalista francesa Françoise Atlan, que possui um vasto repertório de música tradicional do leste.
O mestre e professor mongol Tserendaava (18:30) e as marionetas Bhopas Nayuakes (21:00) voltam a actuar na quinta-feira, sendo a primeira novidade deste terceiro dia do festival o espectáculo (20:00) com a cantora libanesa Ghada Shbeir, especialista no folclore do Médio Oriente e de cantos Árabe-Andaluzes, Sírios e Bizantinos, entre outros.
Já o Shin Shin Nanguan Ensemble, de Taiwan, promete "encantar" o público alentejano com os sons da elegante tradição da música Nanguan, apontada como a forma mais refinada da música chinesa clássica, num concerto que encerra a programação de quinta-feira (22:00).
As marionetas Bhopas Nayuakes dão, pela última vez nesta edição do festival, sexta-feira, o mote para mais uma jornada dedicada ao Oriente, "disputando" as atenções com uma autêntica "Noite Cigana", a cargo do músico Selim Sesler, natural da Grécia mas radicado na Turquia, e dos Techno Roman Project, agrupamento que explora a fusão da música turca tradicional com os ritmos electrónicos.
A última noite do Festival Évora Clássica, sábado, tem programado um único concerto, dedicado à descoberta da música do Uzbequistão, "transportada" até à cidade alentejana por Monajat Yulchieva, considerada pela organização do certame a "mais reconhecida e fascinante cantora" daquele país.
A par deste variado programa, a edição deste ano do evento integra ainda os malabarismos de Narayanan, um dos "últimos grandes viajantes acrobatas" da Índia e um autêntico "mágico" na arte de manobrar as facas e o sabre.
O "charme único" deste malabarista das facas, segundo a organização, pode ser testemunhado pelo público de Évora em espectáculos diários durante o festival, quer na Praça do Giraldo (18:00), quer no Jardim do Paço (20:00).
Os interessados em assistir a toda esta programação, com direcção artística da Alain Weber, podem solicitar convites nos postos de turismo de Évora, Jardim do Paço e Teatro Garcia de Resende.