Festival Gay e Lésbico de Lisboa com novo nome e 88 filmes
A 11.ª edição do Festival de Cinema Gay e Lésbico de Lisboa decorre de 14 a 22 de Setembro no cinema São Jorge, com 88 filmes programados e uma retrospectiva da cinematografia gay portuguesa dos anos 70.
Este ano, o festival vai ter uma nova designação - Queer Lisboa 11 - um título que o director, João Ferreira, considera "mais abrangente" e "mais fiel em relação àquilo que é a programação do festival".
A programação completa do festival foi hoje anunciada e mantém-se a atribuição de prémios em três categorias: Melhor Longa-Metragem (candidatam-se 13 filmes), Melhor Documentário (11 obras em competição) e Prémio do Público para a Melhor Curta-Metragem (48 filmes em concurso).
Os prémios para as duas primeiras categorias são de mil euros e o do Público é de 500 euros.
Os filmes vencedores são anunciados no encerramento no festival pelos presidentes dos júris das secções em competição - a actriz Cucha Carvalheiro (longa-metragem) e a realizadora Ana Luísa Guimarães (documentário).
O júri de longa-metragem inclui ainda Ales Rumpel (director do festival Mezipatra, de Praga), Giuseppe Savoca (programador do festival gay e lésbico de Turim) e Inês Meneses (radialista).
A escolha do melhor documentário fica a cargo de Fernanda Câncio (jornalista), Matteo Colombo (programador do festival gay e lésbico de Milão) e de Ana Luísa Guimarães, que preside.
No início do festival, a 14 de Setembro, será exibido o filme brasileiro "A Casa de Alice", de Chico Teixeira, enquanto que o filme de encerramento será "The Picture of Dorian Gray", de Duncan Roy (EUA).
Na apresentação da programação desta edição do festival, João Ferreira destacou a apresentação de longas-metragens como "The Bubble" (Israel), um filme de Eytan Fox ou "Glue", do argentino Alexis dos Santos.
Na secção de Documentário, foi destacada a apresentação de "Bob and Jack`s 52-year Adventure", uma história de amor com 52 anos, e nas curtas-metragens foram salientados os filmes "Alguma Coisa Assim" (Brasil), "No Pasa Nada" (Espanha), "Paris I Love You Too" e "Cowboy Forever" (ambos de França).
Haverá ainda uma secção dedicada a um conjunto de curtas-metragens anteriores a 2006 que não estão em competição e a apresentação de dois spots (da Alemanha) contra a homofobia, um projecto social que a organização considera "exemplar".
A 21 de Setembro decorre uma sessão especial com o premiado filme "The Blossoming of Maximo Oliveros", de Aureaus Solito, (Filipinas).
Numa das novidades desta sessão, será apresentada uma retrospectiva da cinematografia gay portuguesa dos anos 70, com a mostra de quatro filmes realizados entre 1975 e 1978 por Óscar Alves que passaram na altura em circuitos muito restritos.
Haverá também uma secção "Queer Pop" dedicada à música, com dois documentários e três sessões de telediscos, uma delas dedicada exclusivamente a Madonna.
Durante o festival, estão previstos três debates - um sobre personagens homossexuais na ficção televisiva portuguesa, outro sobre a cinematografia gay portuguesa dos anos 70 e um terceiro motivado pela apresentação do filme "The Picture of Dorian Gray" sobre o escritor irlandês Oscar Wilde.
Os 88 filmes a apresentar estão programados em 60 sessões que vão decorrer no cinema São Jorge, onde estarão presentes alguns realizadores de filmes programados.
"Esta é a única oportunidade de ver muitos destes filmes porque não vão passar em Portugal no circuito comercial", sublinhou João Ferreira.
Na apresentação do Queer Lisboa, Albino Cunha, um dos elementos da organização, destacou que O Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) este ano, pela primeira vez, não apoiou o festival.
Anteriormente, João Ferreira referira à Lusa que o ano passado o ICA contribuira com 15 mil euros, sendo o orçamento deste ano do festival de 45 mil euros.