Festival Guitarra d`Alma cruza tradição e novas sonoridades em Almeirim
O Festival Guitarra d`Alma vai cruzar a guitarra portuguesa com o alaúde árabe, o violino, a música filarmónica e o fandango numa 13.ª edição que percorre várias localidades do concelho de Almeirim e junta música, gastronomia e homenagens a artistas locais.
Criado em 2013 pelo guitarrista e diretor artístico Custódio Castelo, o festival nasceu com o propósito de mostrar diferentes possibilidades da guitarra portuguesa, colocando o instrumento no centro de todos os concertos e promovendo o diálogo com outras tradições e linguagens musicais.
"É exatamente este experimentalismo que trazemos ao nosso festival, sempre com surpresas", afirmou hoje Custódio Castelo à agência Lusa, considerando que a guitarra portuguesa é a "primeira dama" da programação.
Nesta edição, de 06 a 14 de novembro, o instrumento português vai encontrar-se com o alaúde árabe através da participação de um quarteto de músicos da Tunísia, ligado à orquestra nacional daquele país, no concerto de encerramento, marcado para o Pavilhão Multiusos de Almeirim.
O espetáculo contará ainda com a participação de uma violinista da Orquestra Sinfónica do Porto Casa da Música e de músicos que acompanham habitualmente Custódio Castelo, num cruzamento entre guitarra portuguesa, violino e alaúde árabe.
"Estamos a falar de um crescimento, de uma inovação, e já habituámos o público a esta surpresa, a ver sempre algo de novo em que a guitarra portuguesa se insere", salientou.
A programação inclui também um concerto do músico Jorge Fernando, acompanhado por guitarra portuguesa e pela banda filarmónica de Almeirim, numa apresentação que o diretor artístico considera "inédita na região".
O festival decorrerá em Raposa, Benfica do Ribatejo, Fazendas de Almeirim e Almeirim, mantendo a aposta na descentralização da programação e na aproximação às populações com mais dificuldades de deslocação.
Segundo Custódio Castelo, levar os concertos às freguesias permite que as pessoas, nomeadamente as mais velhas, assistam aos espetáculos sem dependerem de transporte ou de terem de realizar deslocações noturnas para a cidade.
"É uma forma também de respeitar as pessoas de cada freguesia", sustentou o músico, lembrando que muitos habitantes poderão deslocar-se a pé aos locais dos concertos.
A abertura do festival ficará a cargo do Ensemble de Guitarras Portuguesas da Escola Superior de Artes Aplicadas de Castelo Branco, constituído maioritariamente por alunos da licenciatura em guitarra portuguesa.
A homenagem a músicos e intérpretes ligados à guitarra portuguesa é uma das componentes do festival desde a primeira edição. Ao longo dos últimos 13 anos, o evento recebeu e homenagem artistas como Luísa Amaro, João Braga, Joel Pina, António Parreira e António Chainho.
"Este festival tem esse princípio, que é a gratidão pelas pessoas que deram a sua vida em prol do crescimento e da evolução deste instrumento", explicou Custódio Castelo.
O programa de encerramento vai ainda cruzar música e gastronomia, com uma degustação de sopa da pedra, caralhotas e vinhos da região, seguida de um concerto no mesmo espaço.
Durante a degustação será apresentado o fandango tradicional e o fandango varapau, acompanhados pela guitarra portuguesa em vez do acordeão habitualmente utilizado nesta expressão musical ribatejana.
A promoção de jovens intérpretes volta igualmente a fazer parte do programa. Para Custódio Castelo, dar palco a estudantes e músicos em início de carreira é essencial para assegurar a continuidade e a renovação da guitarra portuguesa.
"A inovação e a renovação são pura e simplesmente necessárias para a continuidade, e a guitarra portuguesa merece isso", afirmou, destacando o percurso de antigos alunos da licenciatura que já estão integrados em projetos e palcos profissionais.
Custódio Castelo adiantou ainda que o projeto tem como objetivo alargar a sua presença a outras regiões do país, através do formato de concerto "Guitarra d`Alma".
Segundo explicou, o festival continuará a decorrer em Almeirim, enquanto o espetáculo passará por outras localidades, incluindo Lisboa e Porto, mas também territórios com menor acesso à programação cultural.
"O Guitarra d`Alma quer expandir-se ao país. Quer expandir-se às principais cidades, Lisboa e Porto, mas sempre com a preocupação de ir aos sítios onde as pessoas normalmente não vão", declarou.
Os programas deverão incluir atuações do Ensemble de Guitarras Portuguesas, convidados locais e homenagens a figuras ligadas à música e ao fado.
De acordo com Custódio Castelo, o projeto teve já uma primeira experiência de expansão em setembro, em Castelo Branco, cidade onde são lecionados cursos de licenciatura e mestrado em guitarra portuguesa, iniciativa que serviu para testar um modelo que pretende agora replicar noutras regiões do país. O objetivo, acrescentou, passa por levar a guitarra portuguesa e o fado a públicos com menos oportunidades de contacto com este tipo de espetáculos.