"Filha adoptiva" de Salazar conta em livro a intimidade do ditador

A afabilidade em privado foi a característica de Salazar mais realçada hoje, durante a sessão de apresentação do livro "Os meus 35 anos com Salazar", um relato de Maria da Conceição de Melo Rita que apresenta o ditador na sua intimidade.

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"Salazar era um homem bom", foi assim que José Hermano Saraiva, historiador e ministro da Educação do Estado Novo, definiu o homem que durante mais de 30 anos governou Portugal.

"Para mim, é muito comovente vir aqui prestar esta homenagem ao grande português que se chama António Oliveira Salazar", disse José Hermano Saraiva.

Para o historiador, "a História é feita de patranhas e mentiras", e aquilo que sobreviveu até hoje foi uma imagem implacável de Salazar, o que, no seu entender, não corresponde á verdade, acrescentando que à medida que o tempo passar, "o nome de Salazar será cada vez maior e quando se escrever a História, sobressairá a sua bondade".

Num livro onde a política não entra, a autora dá a conhecer a personalidade de António Oliveira Salazar, recorrendo para isso à memória que guarda dos anos vividos como se fosse filha do ditador.

No livro pode ler-se que, Maria da Conceição de Melo Rita, "Micas", como era carinhosamente tratada por Salazar, "foi viver para a residência do "Senhor Doutor", por intermédio de Maria de Jesus Freire, a governanta de Salazar", tinha apenas 6 anos.

Ao longo de 35 anos, "Micas" privou com o chefe de Governo e conta agora, num livro escrito pelo jornalista Joaquim Vieira, a faceta mais desconhecida de Salazar.

"A obra dá-nos um retrato de Salazar na sua vida pessoal e uma imagem da sua personalidade, que não contrasta muito com aquilo a que podemos chamar o estereótipo do Estado Novo", constatou o historiador Costa Pinto.

Apesar de viver "uma vida afável", Salazar era um homem que vivia "muito isolado", sempre com grande rigor e com uma "disciplina quase monástica", referiu Costa Pinto.

Para além dos autores, a sessão de apresentação, que decorreu no restaurante Estufa Real, no Jardim Botânico da Ajuda, em Lisboa, contou ainda com a presença de José Hermano Saraiva e do Professor Costa Pinto.

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