Filipe La Féria admite "assentar" no teatro Sá da Bandeira, no Porto
O produtor e encenador Filipe La Feria admitiu hoje adoptar o Teatro Sá da Bandeira como "a sua casa" do Porto, e anunciou a intenção de repor na sala espectáculos interpretados por actores da cidade.
"Admito permanecer aqui, repondo peças com actores do Porto", afirmou Filipe La Feria aos jornalistas, à margem de uma cerimónia de assinatura de um protocolo com a Câmara do Porto que prevê a realização de uma temporada teatral no Teatro Sá da Bandeira, uma emblemática sala de teatro regular e de revista até à década de 80.
Nos últimos anos, o Sá da Bandeira acolheu sessões cinematográficas, interrompidas no final do século passado, concertos de música e comícios de campanhas eleitorais.
Filipe La Feria estreia sexta-feira, no Sá da Bandeira, o espectáculo "A Rainha do ferro-velho", de Garson Kanin, tendo para isso realizado vultuosas obras de recuperação daquela sala, cujo valor preferiu não revelar.
Esta peça, então com Laura Alves como protagonista, foi uma dos grandes sucessos do "Teatro Sá da Bandeira", nos anos sessenta.
A par desta comédia, La Feria apresenta também, a partir de Abril, "A Menina do Mar", de Sophia de Mello Breyner, obra literária que integra as leituras obrigatórias do ensino básico.
No âmbito do protocolo, a Bastidores Produções Artísticas, Lda, de La Feria, comprometeu-se a realizar obras de limpeza profunda do teatro, a pintura de paredes, a recuperação do piso da plateia, da galeria e das escadarias de circulação geral do seu interior, que ficaram concluídas em cerca de um mês.
Em contrapartida, a autarquia do Porto assumiu a obrigação de adquirir um determinado número de bilhetes para os dois espectáculos, que serão dados a idosos e a alunos das escolas do ensino básico da cidade.
O Teatro, embora de propriedade privada, está ser dinamizado com o apoio da autarquia portuense, como mais uma das formas de revitalização da "baixa".
O encenador espera, agora, que o investimento "de enorme coragem" que realizou no Teatro Sá da Bandeira valha a pena, permitindo devolver a sala de espectáculos ao teatro e ao público do Porto.
"Proporcionamos à cidade mais um teatro e a devolução do espaço", frisou.
Sustentou desejar dar a conhecer ao público a sua empresa e os artistas "sonhadores que pretendem divulgar a cultura e homenagear o Porto com o seu trabalho".
"Espero que a devolução deste espaço [ao teatro] se prolongue não só para a minha companhia mas também para outras da cidade e do país que desejem representar no Porto", frisou.
O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, lembrou a "grande marca" que é o Sá da Bandeira na cidade, lamentando o seu "subaproveitamento".
Com este protocolo, Rio pretende dar vida ao teatro, mas também "dar passos" para a revitalização da baixa da cidade.
Destacou ainda o facto de estar a possibilitar a entrada dos mais idosos e das crianças na sala.
"Reanimamos a baixa, reanimamos o Sá da Bandeira e possibilitamos a entrada dos mais velhos e dos mais novos", concluiu.