Filme "Chelas nha kau" do coletivo Bataclan 150 na programação de festival britânico

O documentário "Chelas nha kau", do coletivo português Bataclan 1950 e da Bagabaga Studios, sobre a vida naquele bairro lisboeta, faz parte da programação do festival de cinema documental de Sheffield, a decorrer em junho, no Reino Unido, anunciou a organização.

Lusa /

"Chelas nha kau" ("Chelas meu lugar") fará a estreia internacional naquele festival, sendo exibido na secção "Rebellions", nos dias 12 e 13 de junho, em sala de cinema e `online`.

O filme, exibido em outubro passado no DocLisboa, revela o que é ser jovem no bairro de Chelas, de habitação social, multicultural e diverso. Foi rodado entre 2016 e 2019, e "nasce da vontade de um grupo de amigos contar a sua história e a do bairro onde vive", refere a produtora Bagabaga Studios, na página oficial.

"Por expor a perspetiva de diversas pessoas que pegam na câmara e mostram aquilo que, para elas, é importante, é um filme polifónico que rejeita a hierarquia do cinema de autor", sendo, por isso, assinado pelo coletivo de jovens Bataclan 1950.

O 28.º festival Sheffiled Doc/Fest, dedicado ao documentário e às artes audiovisuais, decorrerá de 04 a 13 de junho, em formato híbrido, com sessões em sala e programação `online`. Na direção deste festival está, desde final de 2019, a programadora portuguesa Cíntia Gil.

De acordo com a programação anunciada, na secção "Ghosts & Apparitions" dar-se-á a estreia de "Saudade", projeto de imagem e áudio assinado por Russell Morton (Singapura), que se debruça sobre o kristang, crioulo de matriz portuguesa, que surgiu há cerca de 500 anos em Malaca, atual Malásia.

O kristang, uma língua atualmente ameaçada de extinção, remete para o tempo em que os portugueses conquistaram o porto estratégico de Malaca em 1511.

Na secção "Rebellions" estão três produções brasileiras: "Narciso em férias", de Ricardo Calil e Renato Terra, sobre o músico Caetano Veloso e o tempo em que esteve preso, durante a ditadura; "É rocha e rio", de Paula Giatán, sobre o músico e poeta Negro Leo; e "O que há em ti", de Carlos Adriano, sobre a presidência de Jair Bolsonaro.

Na secção "Into the world", apresentar-se-á "Alvorada", de Anna Muylaert e Lô Politi, que acompanhou em 2016 o processo de destituição da antiga presidente do Brasil, Dilma Rousseff.

O festival Sheffiled Doc/Fest abrirá com o filme "Summer of Soul", do músico norte-americano Questlove, e encerrará com "The story of looking", de Mark Cousins.

No mercado de coproduções do festival, que decorrerá apenas `online`, tinham já sido anunciados 55 projetos cinematográficos, entre os quais "Fedora", coprodução entre Portugal, México e Estados Unidos, assinada por Leland Palmer, e "Sunday in Japan", coprodução luso-britânica de Leo Nelki e Sunday Bamweyana, que dá nome ao filme.

 

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