Filme do Repórter X "O Táxi 9297" nos cine-concertos do Invicta Música Filmes

O filme "O Táxi n.º 9297", realizado por Reinaldo Ferreira, o `Repórter X`, terá o Remix Ensemble a fazer a estreia mundial da banda sonora no ciclo Invicta Música Filmes, que arranca no sábado na Casa da Música, no Porto.

Lusa /

O ciclo, que decorre desde 2013, é dedicado à "relação do cinema com a música", explicou o diretor artístico da Casa da Música, António Jorge Pacheco, debruçando-se ora sobre bandas sonoras existentes, ora sobre filmes mudos, aí apresentando criações contemporâneas.

"Este ano, há uma aposta clara em obras encomendadas décadas depois de o filme ter sido produzido. É uma aposta forte -- as encomendas --, de trazer ao público obras inéditas em Portugal. [O ciclo] tem quatro espetáculos, três deles cine-concertos", acrescentou.

O Invicta Música Filmes arranca no sábado com a Digitópia, coletivo residente da Casa, a musicar "A Viagem à Lua", de 1902, do realizador francês Georges Meliès, pioneiro do cinema, com interpretação de Jorge Queijo, Óscar Rodrigues e Paulo Neto, pelas 16:00.

Duas horas depois, segue-se "J`accuse", pela Orquestra Sinfónica do Porto, que vai ser dirigida por Christian Schumann, na estreia em Portugal da música que Philippe Schoeller compôs, por altura das celebrações do centenário da I Guerra Mundial.

A obra, primeiro estreada em 1919, representa o olhar de Abel Gance sobre as trincheiras do primeiro grande conflito à escala mundial, "colocando o enredo amoroso" nesse contexto.

No domingo, pelas 12:00, há um "concerto para famílias, dos avós aos netos", como destacou António Jorge Pacheco, com a Banda Sinfónica Portuguesa, sob a batuta de Andrea Loss, a interpretar várias obras famosas do cinema.

Arranca com "Star Wars", do norte-americano John Williams, e passa por Nino Rota, Ennio Morricone ou Michael Kamen, antes de regressar ao compositor da música que acompanha a saga "Guerra das Estrelas" para o tema de "Parque Jurássico".

O último cine-concerto decorre no dia 18 de fevereiro, terça-feira, na Sala Suggia, que recebe a estreia mundial de uma encomenda da Casa da Música e da Philarmonie do Luxemburgo a Igor C. Silva, "Jovem Compositor em Residência da Casa da Música em 2012".

A peça, interpretada pelo Remix Ensemble e pelo próprio compositor, a par da eletrónica da Digitópia, seguirá no final do ano para o Luxemburgo e é apresentada, aqui, pela primeira vez, acompanhando o filme do jornalista Reinaldo Ferreira, que assinava os seus textos como Repórter X.

"A minha primeira abordagem foi começar a perceber em como é que vou criar interesse num filme em que metade do filme são diálogos [cartões de texto com as falas]. (...) Tive de arranjar uma forma interessante de pontuar os diálogos, e o que fiz foi analisar a rítmica do que é filme, legenda e mudanças de câmara", explicou Igor C. Silva.

O compositor destacou ainda que partiu de uma noção "barata", o de trazer para o filme um trabalho de sonoplastia, para utilizar, por exemplo, o som de uma porta a bater como "um instrumento musical" que traz "uma harmonia que se torna um acorde para o `ensemble`".

A história de "O táxi n.º 9297", que deu origem ao filme, inspira-se na morte da atriz portuguesa Maria Alves, em 1926, estrangulada dentro de um táxi, atribuindo a autoria do crime ao empresário e antigo amante, com a conivência do motorista do táxi n.º 9297. As investigações policiais posteriores confirmaram a hipótese de Reinaldo Ferreira.

O filme, que conciliou os elogios do público e da crítica, à época, foi rodado em 1927, nos antigos estúdios Invicta Film, no Porto, e foi lançado em DVD pela Cinemateca Portuguesa, em 2018, numa edição que também inclui "Rita ou Rito?...", curta-metragem dirigida na mesma altura (1927), por Reinaldo Ferreira. As cópias foram restauradas pela Cinemateca. Nesta edição em DVD, os dois filmes têm acompanhamento ao piano do pianista Filipe Raposo. O DVD inclui ainda o ensaio documental "Os Motivos de Reinaldo Ferreira", de Ricardo Vieira Lisboa.

"O táxi n.º 9297", o livro, teve nova edição no ano passado, pela Relógio d`Água.

Reinaldo Ferreira, que assinou muitos dos textos jornalísticos como `Repórter X`, utilizou este pseudónimo para criar uma produtora de cinema pela qual escreveu e realizou quatro filmes.

 

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