Filme inédito "2+2", de João Sousa Cardoso, é exibido sexta-feira, em Paris

Lisboa, 14 Abr (Lusa) - O filme inédito "2+2", no qual João Sousa Cardoso, investigador que cruza a estética e as ciências sociais, reflecte sobre a democracia em Portugal, vai ser exibido sexta-feira, em Paris, seguido de debate público.

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A película, de 40 minutos, que será exibida numa apresentação pública pelas 19:00 no Jeu de Paume, em Paris, parte, segundo o autor, de duas canções emblemáticas da Revolução em Portugal, o "FMI" e o "Eu vim de longe", ambas criadas pelo compositor e cantor José Mário Branco.

No filme, "FMI", escrita em 1979, surge interpretada por José Mário Branco em 1982, no Teatro Aberto, em Lisboa, enquanto "Eu vim de longe", é cantada por Ana Deus (ex-vocalista dos Três Tristes Tigres), numa versão actualizada deste cantar da revolução.

Partindo da revolução de Abril de 1974, "2+2" (um tempo antes mais um tempo depois) pretende reflectir sobre o regime da "terceira república" em Portugal e o país no presente, e enquadra-se na investigação que João Sousa Cardoso está a desenvolver sobre as imagens cinematográficas da emigração portuguesa em França, como bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

As duas canções levaram João Sousa Cardoso - actualmente a fazer um doutoramento em Sociologia na Universidade da Sorbonne, em Paris - a vir para a rua ver os trabalhadores a chegar à cidade do Porto, na estação de São Bento, de manhã cedo, pelas oito horas, para um dia de trabalho.

"Procurei observar a pluralidade que existe na imagem que se apresenta una. Que sinais de vida democrática há nos corpos que desfilam? Depois da revolução, da descolonização e do regresso de África (...) e dos exilados de Paris (...), onde nos encontramos?", questiona o investigador numa nota explicativa sobre o filme.

João Sousa Cardoso, nascido em Vila Nova de Famalicão há 31 anos, actualmente a viver e a trabalhar em Paris, é licenciado em Artes Plásticas, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e mestre em Ciências da Comunicação pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

A projecção do filme é organizada em conjunto por Les Laboratoires d`Aubervilliers e Jeu de Paume, uma entidade que reúne associações ligadas à fotografia e arte contemporânea.

AG.

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