Filme norte-americano proibido no Afeganistão
Cabul, 16 jan (Lusa) - O filme norte-americano "The kite runner", adaptado do romance homónimo de Khaled Hossein ("O menino de Cabul", na edição portuguesa), foi proibido no Afeganistão por conter cenas negativas para uma das etnias do país, anunciou hoje o ministério da Cultura afegão.
"Mostram-se no filme cenas de violência sexual etnicamente orientadas", explicou o vice-ministro da Cultura, Najib Malalai.
O filme, realizado por Marc Forster, narra a história de duas crianças, uma da etnia pastune, dominante no Afeganistão e presente igualmente no Paquistão, e outra da etnia dos hazaras, uma minoria xiita de origem mongol, sobre o fundo da guerra civil, nos últimos anos. Uma das crianças é violada.
"A agressão de um membro de uma etnia por pessoas de etnia diferente leva a pensar que esta última está ligada a este tipo de actos. É um acto cultural, isto não é aceitável", argumentou Malalai.
Em Dezembro último, pouco antes da exibição da longa-metragem nos Estados Unidos, a produtora aunciou que quatro das crianças que participaram no filme tinham saído do Afeganistão por se temer pela sua segurança.
A exibição da película em território norte-americano já tinha já sido adiada precisamente por se temer pela segurança dos jovens actores.
"O menino de Cabul" foi publicado em Portugal pela editora Relógio d´água. Khaled Hossein, o autor, que com este romance se estreou na ficção, nasceu em Cabul em 1965 e reside nos Estados Unidos desde 1980.
No ano passado, um filme indiano "Kabul Express" foi proibido por razões semelhantes às agora invocadas.
Por alegadamente pôr em causa a etnia hazara, apresentada como "o mais bárbaro dos povos", o filme, uma comédia, não passou nas salas de cinema afegãs. As autoridades falaram então de "insulto à nação".
Os hazaras, que representam cerca de 15 por cento da população, têm sido frequentemente vítimas de discriminação do Afeganistão.