Filme sobre Amália Rodrigues emocionará os espectadores - produtor Manuel da Fonseca
Lisboa, 09 Jun (Lusa) - O filme "Amália", a biografia ficcionada sobre Amália Rodrigues que começou hoje a ser rodada em Lisboa, irá revelar uma "figura contagiante, entre o lado luminoso e a atracção pelas sombras" que emocionará os espectadores.
Foi assim que o produtor Manuel da Fonseca e o autor da história, Pedro Marta Santos, apresentaram hoje na Estufa Fria, em Lisboa, a primeira biografia ficcionada sobre a diva do fado, na altura em que o realizador Carlos Coelho da Silva fazia as primeiras filmagens no mesmo local.
"Não é um filme sensacionalista. O nosso projecto é de qualidade e referência, destina-se a todo o público e pretende reforçar o mito, a figura mítica que a Amália representa", disse o produtor Manuel da Fonseca, da Valentim de Carvalho Filmes, em conferência de imprensa.
A actriz Sandra Barata Belo encarnará a figura de Amália Rodrigues, no topo de um elenco de 45 actores, entre os quais Carla Chambel, no papel de Celeste Rodrigues, Leonor Seixas, Betinha, outra das irmãs de Amália, e António Pedro Cerdeira, como o banqueiro Ricardo Espírito Santo.
Ana Padrão (mãe de Amália), Ricardo Carriço (César Seabra, o último marido de Amália), João Didelet (José Carlos Ary dos Santos), Ricardo Pereira e Susana Mendes são outros nomes do elenco.
Hoje na Estufa Fria filmou-se o momento em que Amália conhece Ricardo Espírito Santo, uma cena de pouco mais de um minuto, mas que se estendeu durante toda a manhã e início da tarde.
A rodagem prossegue nos próximos dois meses em Portugal, sobretudo em Lisboa, e com parte das gravações a decorrerem em estúdio, onde serão recriados, por exemplo, o Olympia, em Paris, cenas no Brasil, Nova Iorque ou no Japão.
O filme pretende mostrar "a Amália de todos os portugugeses, com um universo interior complicado", uma pessoa "com uma relação intensa com o abismo, com a morte, o lado sombrio, mas também com uma enorme energia e capacidade de contagiar as pessoas com a sua alegria", explicou o autor da história, Pedro Marta Santos.
Por ser um "biopic", uma biografia ficcionada, o filme decorrerá entre 1954 e 1984, período em que a fadista pisou o maior número de palcos internacionais e altura em que terá tentado suicidar-se.
"Usamos liberdades temporais e sendo uma construção dramatúrgica, interpretamos a vida da Amália, respeitando todo o seu caminho", disse Pedro Marta Santos, que recorreu a dezenas de entrevistas, gravações, filmes, recortes de imprensa e depoimentos de cerca de 20 pessoas, incluindo a família da fadista.
Apresentado como "Amália, a voz do povo", o filme tem um orçamento de cerca de três milhões de euros, estreará nos cinemas por altura do Natal e deverá ser exibido em Outubro de 2009 na RTP, em formato de minisérie com quatro telefilmes, por ocasião dos dez anos da morte da fadista.
Sendo Amália uma figura internacional, o filme será vendido para outros países, sobretudo naqueles onde houver uma forte comunidade portuguesa.
"É um filme para encantar e não para chocar", sublinhou Manuel da Fonseca, esperando que a longa-metragem "cause emoções primárias e provoque algumas lágrimas" entre os espectadores.
Manuel da Fonseca rejeita assim qualquer sombra de sensacionalismo em torno do filme, apesar do realizador Carlos Coelho da Silva ter no seu currículo "O Crime do Padre Amaro", protagonizado por Soraia Chaves e que é hoje o filme português mais visto de sempre.
Recordando os exemplos recentes dos filmes sobre Edith Piaf e Bob Dylan, Manuel da Fonseca sublinhou que "Amália" será "um verdadeiro melodrama".
"Um drama em música que eu gostava que os portugueses apreciassem", acrescentou.
A música será a nota dominante do filme, com a inclusão de 22 fados remasterizados de Amália Rodrigues.
SS.