Filme sobre André Breton pela sua filha no maior festival surrealista internacional desde 1976

Coimbra, 03 Jun (Lusa) - Um filme sobre André Breton, o "pai" do surrealismo, realizado pela sua filha Aube Elleouet, iniciou hoje em Coimbra um ciclo de cinema inserido numa mostra internacional de artes-plásticas considerada a maior daquela corrente artística realizada desde 1976.

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Miguel de Carvalho, comissário da mostra "Reverso do Olhar", garantiu à agência Lusa que o evento foi a maior mostra de surrealismo actual internacional alguma vez feita a seguir à grande Exposição Internacional de Chicago em 1976. Reúne 320 obras de 130 autores de vários países. Iniciou-se no passado dia 03 de Maio e encerra no próximo dia 28.

O ciclo de cinema que hoje teve início, e se prolonga até dia 28, reúne uma dúzia de filmes e documentários televisivos sobre o surrealismo realizados em 2007, à excepção de "L`Age d`Or", do grande cineasta espanhol Luis Buñuel, rodado nos anos 20 do século passado, revelou à Lusa Miguel de Carvalho.

"A Imagem da Revelação", do Grupo Surrealista de São Paulo, em homenagem ao Centenário de André Breton (1896-1996), "Robert Desnos inédits", da autoria de Aube Elleouet e Oona Elleouet, Merlin Hare, Aube Elleouet e Oona Elleouet, "Pnina Granirer, Portrait of an Artist", de Mehdi Ali, e "The Right Passage and Other Visions", de Dave Boborske e Paul Goodman, são algumas das obras em exibição.

"O Reverso do Olhar", patente nas galerias da Casa Municipal da Cultura e do Edifício Chiado, compreendeu na inauguração, a 03 de Maio, uma performance ao vivo de pintura automática por cerca de uma dezena de surrealistas internacionais, que se deslocaram a Coimbra especialmente para o efeito, concebendo uma obra com 3 metros de comprimento por 2 de altura.

Nessa sessão, e num recital de poesia surrealista realizada no mesmo dia, participaram os holandeses Rik Lina, Gerrit Komrij, Charles Hofmann e Louis Lehmann, os canadianos Daniel Hanequand e Dave Boborske, bem como os portugueses João Rasteiro, Santiago Ribeiro e Miguel de Carvalho.

Jan Giliam (Antilhas), Antonio Beneyto (Espanha), Beatriz Hausner (Chile), Guy Ducornet (França), Amirah Gazel (Costa Rica), Miguel Lohlé (Argentina), Denis Magerman (Belgica), Andreoni Gaetano (Italia) e Fatima Roque (Brasil) foram outros artistas surrealistas presentes em Coimbra.

Nesta exposição, que reúne de trabalhos em "collage", desenho, escultura, fotografia, gravura, "montagens objectuais", pintura e poesia, foi prestada homenagem aos portugueses que integraram este movimento fundado nos anos 20 do século XX pelo poeta francês André Breton, que tem como figuras cimeiras em Portugal Cruzeiro Seixas e Mário Cesariny, este último falecido há já um ano.

Em "O Reverso do Olhar" estão patentes obras de vários artistas contemporâneos pertencentes a este movimento, de países tão diversos como o Brasil, Santiago do Chile, Espanha, Argentina, Holanda, República Checa, EUA, Indonésia, África do Sul, Costa Rica, Inglaterra, França, República Dominicana e Suíça.

Actualmente o movimento surrealista mundial, de um modo geral, está organizado em pequenos grupos, ou "células", que vêm realizando eventos individuais e colectivos, nomeadamente exposições, evocações ou homenagens. Uma boa parte das obras patentes em "O Reverso do Olhar" foram emprestadas por essas células surrealistas espalhadas pelo mundo.

O Surrealismo constitui uma ideologia fundada nos anos 20 do século passado por um grupo de intelectuais franceses liderado pelo poeta André Breton. É uma ideologia que abarca um pensamento próprio, uma estética, uma concepção filosófica, uma doutrina de comportamento, de moral de vida.

Os espanhóis Salvador Dali e Joan Miró, o alemão Max Ernst, o belga René Magritte são os expoentes máximos do movimento nas artes plásticas. Na literatura à volta da figura cimeira que foi André Breton encontramos Antonin Artaud, Paul Éluard, Louis Aragon ou Jacques Prévert. No cinema o espanhol Luis Bunuel é o "ícone" do surrealismo.

"O Reverso do Olhar" é uma co-organização Câmara Municipal da Cultura e da editora portuguesa independente de livros surrealistas DEBOUT SUR L`OEUF, com sede em Coimbra, e dirigida por Miguel de Carvalho.


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