Filme sobre Isabel I de Inglaterra "deforma História de maneira perversa"

O diário da igreja católica italiana, Avvenire, qualificou hoje de "anti-católico" o filme "Isabel: a Idade de Ouro", do indiano Shekhar Kapur, sobre a rainha Isabel I de Inglaterra, considerando que ele "deforma a História de maneira perversa".

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"O filme dedicado à `Rainha Virgem` deforma a verdade histórica e recicla todos os lugares-comuns anglo-saxónicos contra `o obscurantismo dos papas`", escreve o jornal sob o título "Isabel anti-católica", na sua edição online.

Na avaliação do jornalista Franco Cardini, "um filme que deforma a história de uma maneira tão profunda e perversa não pode ser considerado um `belo` filme".

Exibido em antestreia europeia no passado dia 19 de Outubro no Festival de cinema de Roma, "Isabel: a Idade de Ouro" mostra uma rainha de Inglaterra criada no protestantismo e que, em 1585, tem de enfrentar a solidão de uma mulher no poder sem marido nem filhos e gerir a guerra difícil contra a Espanha católica.

"O seu adversário, Filipe II de Espanha - lê-se no Avvenire - é naturalmente o católico feroz e fanático caricaturado , que agita o rosário como uma arma (...), que sonha submeter o mundo inteiro à fé católica. A sua derrota é apresentada como uma luminosa vitória do livre-pensamento contra as trevas da Inquisição".

"Todas estas coisas são de um anticlericalismo do século XIX do mais baixo nível", resume o jornal.

Após um primeiro filme, "Isabel", em 1999, também consagrado à rainha, Shekhar Kapur voltou a chamar a actriz australiana Cate Blanchett para este segundo trabalho de uma trilogia sobre a soberana inglesa.

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