Filósofo francês Jacques Derrida morreu em Paris
O filósofo francês Jacques Derrida, 74 anos, morreu sexta-feira à noite num hospital parisiense na sequência de um cancro no pâncreas, anunciaram hoje fontes próximas do filósofo.
Jacques Derrida, que era um dos filósofos franceses mais conhecidos no estrangeiro, nomeadamente nos Estados Unidos, propôs, a partir de textos filosóficos clássicos, uma "decomposição", ou seja uma crítica de pressupostos da palavra.
Nascido a 15 de Julho de 1930 na Argélia, ingressou em 1950 na Escola normal superior ("Normale Sup) de Paris, antes de se tornar assistente em Harvard, nos Estados Unidos, e depois na Sorbonne, em Paris.
Em 1965, Derrida foi professor de filosofia na Normale Sup, onde ocupava, ao mesmo tempo que o filósofo marxista Louis Althusser, a função de "caimão" (director de estudos).
O filósofo - que durante muito tempo ensinou em Paris e em diversas das mais prestigiadas universidades norte-americanas como as de Yale e de John Hopkins - efectuou uma vasta reflexão crítica sobre a instituição filosófica e o ensino desta matéria.
Em 1983, Derrida criou o Colégio Internacional de Filosofia que presidiu até 1985, tendo posteriormente ensinado na Escola de altos estudos em ciências sociais.
Além de membro do comité de apoio ao candidato socialista Lionel Jospin durante as eleições presidenciais em França, em 1995, Derrida foi casado com uma psicanalista e teve um filho de Sylviane Agacinski, actual mulher de Jospin.
Dos numerosos livros que escreveu, destacam-se "A escrita e a diferença", "A disseminação" e "Margens da filosofia".