Francisco Umbral, "um dos grandes prosadores do século XX"
Autores, editores e responsáveis literários espanhóis recordaram o escritor Francisco Umbral, que morreu hoje de madrugada vítima de paragem cardiorespiratória, como "um dos grandes prosadores do século XX".
"Com a perda de Francisco Umbral desaparece um grande escritor da língua espanhola e uma personalidade livre que cunhou um estilo próprio e indiscutível e que soube tocar muitos géneros literários", disse Victor Garcia de la Concha, director da Real Academia Espanhola.
Para De la Concha, Umbral "foi um grande articulista, um brilhante ensaísta e um escritor de relevo", com destaque para "Mortal e Rosa", que é uma obra "maravilhosamente escrita".
Para o escritor Gustavo Martin Garzo, Francisco Umbral é "um dos grandes prosadores do século XX e alguém cujos textos estavam sempre cheios de descobertas para o leitor".
"Tinha essa magia de nos levar a procurarmos as suas crónicas. É uma grande perda para a cultura do nosso país", afirmou.
Ana Gavín, editora de Francisco Umbral, destacou a faceta "mais pessoal e vulnerável" do escritor, observando que, "apesar da imagem que pudesse transmitir ao público", era um homem "inquieto perante o acolhimento da sua obra".
Francisco Umbral, 72 anos, morreu hoje em Madrid devido a uma falha cardiorespiratória.
É considerado uma das figuras literárias mais relevantes de Espanha nas últimas décadas, tendo recebido vários galardões, entre os quais o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras em 1996 e o Prémio Cervantes de 2000.
Os problemas de saúde do escritor madrileno começaram em 2003 e em Agosto deste ano foi hospitalizado com uma pneumonia, na sequência de uma operação intestinal.
O escritor acabou por morrer na Clínica MontePríncipe de Boadilla de Monte, em Madrid, onde o corpo será velado hoje à tarde.
Francisco Umbral nasceu a 11 de Maio de 1935 em Madrid, mas passou a infância e adolescência em Valladolid.
Entre os mais de 80 livros que publicou destacam-se "Mortal e a Rosa" (1975), "Madrid 1940: Memórias de um Jovem Fascista" e "E Como Eram as Ligas de Madame Bovary" (2003), todos traduzidos para português, editados pela Campo das Letras.