Fundação brasileira lança livro de fortificações portuguesas Salvador

"Fortificações Portuguesas de Salvador Quando Cabeça do Brasil" é o título do livro lançado hoje pela Fundação Gregório de Mattos (FGM), da Bahia, no Museu Náutico da Bahia, localizado no Forte Santo António da Barra, em Salvador.

Agência LUSA /

O livro, do professor de História Universal da Arquitectura da Universidade Federal da Bahia (UFBa) Mário Mendonça de Oliveira, analisa a história das fortificações portuguesas em Salvador.

O presidente da FGM, Francisco Senna, disse que o livro é consequência "de uma ampla e apurada pesquisa realizada pelo autor em bibliotecas, arquivos e museus de três cidades portuguesas: Lisboa, Porto e Guimarães".

O livro "analisa as fortificações portuguesas construídas em Salvador com a finalidade de defesa da cidade e da região, além dos tipos de armamentos da época - baterias de canhões das duas guerras mundiais - e a existência da Escola Baiana de Arquitectura, que funcionava num casario localizado no Corredor da Vitória", assinalou Francisco Senna.

Devido às características de sua localização e topografia, e, principalmente, em consequência da colonização portuguesa, Salvador nasceu praticamente sob o signo da defesa e com forte influência de uma arquitectura que teve origem na Europa, mais precisamente em Portugal.

A cidade foi erguida nos moldes das cidades portuguesas e até as pedras dos seus edifícios eram trazidas da metrópole.

Localizada no alto de uma escarpa, entre a Baía de Todos os Santos e os morros, Salvador foi a primeira cidade planeada do Brasil, com os portugueses a terem o cuidado de a construir de acordo com as características das suas cidades de origem, conservando a arquitectura medieval de Lisboa, com ruas estreitas, curvas e dispostas perpendicularmente umas às outras, transformando a cidade numa cidade-fortaleza.

Foram os portugueses que deram início à implantação de um sistema de defesa que cresceu até o século XVIII, com a construção de uma grande muralha de taipa e barro, suficiente para protecção contra as flechas dos índios, e que é considerada a primeira obra militar portuguesa na capital baiana.

Com o passar dos anos, a muralha foi reforçada e ampliada com o uso de pedras e de sal e com baluartes, na parte de frente para o mar, e torres encasteladas nas portas voltadas para São Bento e Carmo.

Na realidade, existia por parte da Corte Portuguesa uma preocupação constante com a defesa do lado do mar, de onde os corsários estrangeiros ameaçavam a cidade, e como a simples muralha era insuficiente contra a artilharia da época, foi construído um sistema de defesa com trincheiras e fortificações edificadas em lugares estratégicos e armadas de acordo com a evolução da arte da guerra.

No século XVII foi inaugurada em Salvador a Escola de Arquitectura Militar para formação de profissionais que iriam trabalhar com técnicas de defesa.

Salvador conta hoje com uma série de importantes fortes portugueses, holandeses e italianos, nomeadamente, São Pedro, Santo António da Barra, Santa Maria, São Diogo, Nossa Senhora de Monte Serrat, São Marcelo, Santo Abelardo e Santo António Além do Carmo.

PUB