Fundação do Hotel Tivoli é "uma marca nacional", diz autor da primeira história empresarial do hotel
Lisboa, 30 Out (Lusa) - A saga dos fundadores do Hotel Tivoli em Lisboa, que celebra 75 anos, "é uma marca nacional", disse hoje à Lusa o historiador Carlos Alberto Damas.
Carlos Alberto Damas é autor da obra "Hotel Tivoli Lisboa (1933-2008)", que hoje ao fim do dia é apresentada no Tivoli, na avenida da Liberdade.
"Esta é a primeira história empresarial de um hotel feita em Portugal", sublinhou o autor.
O que diferencia esta história empresarial é o facto de analisar essencialmente os processos de empresa, estrutura organizacional, fluxo da informação, gestão do conhecimento, estratégias e mercados concorrenciais, explicou.
Relativamente ao Hotel Tivoli, que começou "como um pequeno negócio de pensão situada do outro lado da avenida, junto ao Cinema Tivoli onde foi buscar o nome", há uma outra história para escrever, designadamente a da arquitectura, sugeriu Damas.
"O actual edifício - descreveu - é na realidade dois blocos. Um primeiro de oito ou nove andares de Pardal Monteiro, que resulta da demolição de um dos palacetes, em 1950, e dois anos depois demole-se o palacete Rosa Dasmaceno e constrói-se a outra parte".
Os dois empresários fundadores, Joaquim Machaz e José Francisco Cardoso, começaram com uma pensão, em 1926, tendo-se transferido para o quarteirão em frente e alugado um palacete que transformaram em hotel.
Segundo Carlos Alberto Damas, ambos "revelaram um apurado sentido empresarial, sabendo aproveitar as oportunidades".
Dois marcos fundamentais para o crescimento e consolidação do Hotel foram a guerra civil espanhola e a II Grande Guerra Mundial.
"Repare-se que outros hotéis como o Aviz e o Vitória, que tinha até mais condições, não ultrapassaram a década de 1960, e o Tivoli está aí", observou.
Para construir esta história, Carlos Alberto Damas cruzou várias fontes documentais, tanto privadas como públicas, assim como fontes orais.
"Coligi toda a documentação existente que sobreviveu, pois grande parte dela desapareceu. Outra fonte foram os testemunhos dos antigos funcionários, já reformados, que me deram elementos que me permitiram compreender uma série de processos internos da empresa que foram de grande utilidade e que cruzei com outras fontes documentais como manda a metodologia da história empresarial", disse.
Apontou, todavia, uma "falha" por omissão neste trabalho: a comparação com outras instituições hoteleiras.
"Não há nada produzido que possa comparar, em termos de história empresarial de um hotel. Esta obra é de facto a primeira. Fizemos uma comparação com grandes hotéis internacionais", esclareceu.
O livro está profusamente ilustrado, com iconografia histórica, sobre a empresa, e não tanto sobre quem ali se hospedou.
"O anedótico não cabe aqui, inclui apenas a única queixa conhecida de uma cliente", justificou.
O episódio foi o seguinte: uma hóspede do hotel chamou um empregado, pois o piano que estava a ouvir a incomodava. Informada de que quem tocava era o pianista Arthur Rubinstein desistiu da queixa e rematou: "Então deixe estar, assim não gasto dinheiro com o bilhete para o concerto dele".
Carlos Alberto Damas pretende que este seu livro seja um ponto de partida para "outras histórias empresariais de hotéis", e ele próprio gostaria de fazer a do Hotel Avenida Palace, em Lisboa.
Para já está a finalizar a Fotobiografia do banqueiro Manuel Espírito Santo Silva, que será editada a 16 de Dezembro, por ocasião do centenário do seu nascimento.
Autor de uma outra fotobiografia, a da actriz Beatriz Costa, que esteve hospedada no Hotel Tivoli até à sua morte em 1996; Carlos Alberto Damas prepara também uma história da Herdade da Comporta.
NL.
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