Gares marítimas do porto de Lisboa alvo de preservação pelo Fundo Mundial de Monumentos

por Lusa

As gares marítimas do porto de Lisboa foram selecionadas pelo Fundo Mundial de Monumentos (WMF, na sigla inglesa) entre 25 lugares com "importância cultural extraordinária" a necessitar de "preservação urgente", anunciou hoje a Administração do Porto de Lisboa (APL).

De acordo com a APL, que apresentou candidatura à edição do programa de preservação do WMF deste ano, as Gares Marítimas de Alcântara e Rocha do Conde d`Óbidos foram apuradas entre um total de 225 candidatos, avaliados pelo Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) e por um painel independente de especialistas em património internacional.

A WMF - organização internacional de proteção do património mundial - irá trabalhar com a APL num projeto de conservação dos históricos murais do artista Almada de Negreiros existentes no edifício, e também na estruturação de uma estratégia de gestão cultural das gares, "prevendo a sua abertura ao público e a sua programação cultural, dentro e fora de portas, em colaboração com as empresas da área e outras instituições culturais que se pretendam associar ao projeto", indicou a APL, num comunicado.

A Gare Marítima de Alcântara localizada na freguesia de Alcântara, em Lisboa, é um edifício portuário junto à foz do rio Tejo projetada pelo arquiteto Pardal Monteiro, e edificada em 1943, no âmbito da modernização dos portos que servem a capital.

"Esta distinção irá contribuir para o apoio na conservação dos murais e na reabilitação destas estruturas que outrora serviram de porta de entrada marítima em Lisboa", afirmou o administrador do Porto de Lisboa Ricardo Medeiros, citado no comunicado de imprensa.

O mesmo responsável adiantou que "a revitalização destes edifícios do Porto de Lisboa contribuirá para que sejam contadas histórias, e se reencontrem memórias que, ao longo dos anos, foram passando ao lado das narrativas oficiais".

"Interessam-nos as gares que assistiram às vagas migratórias do século XX, ao embarque dos soldados para África, à chegada de refugiados ou ao regresso das populações portuguesas no pós-descolonização", sublinhou ainda.

O projeto será desenvolvido por uma equipa constituída pela APL, o WMF Portugal, a Associação Almada Negreiros Sarah Affonso, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, nomeadamente o Instituto de História de Arte e o Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais, o Laboratório Hércules, no âmbito também do projeto "O desvendar da Arte da Pintura Mural de Almada Negreiros", a Faculdade de Arquitectura da Universidade da Lisboa e a empresa Nova Conservação.

Ainda segundo a APL, a intervenção "não se limitará a` angariação de fundos [de mecenas privados nacionais e internacionais, e o apoio do Estado português], pois a organização assume total responsabilidade pela realização dos seus projetos".

A candidatura contou ainda com o apoio da Comití Internacional de Documentação e Conservação de Edifícios, Sítios e Bairros do Movimento Moderno, da Fundação Oriente e da Freguesia de Alcântara.

Criado em 1965, o WMF é uma organização independente dedicada a proteger património de relevo em todo o mundo e construir pontes de entendimento mútuo entre culturas e comunidades, enquanto a filial portuguesa surgiu em 1993.

Através desta entidade já foram intervencionados alguns dos mais emblemáticos monumentos de Portugal, como a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, a Estátua Equestre de D. José I, e os Jardins do Palácio de Queluz, entre outros.

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