"Gaza está em toda a parte" de Alexandra Lucas Coelho apresentado hoje em Lisboa

"Gaza está em toda a parte", de Alexandra Lucas Coelho, é um álbum de fotografias a cores, quase todas inéditas, e um conjunto de textos de géneros variados, pós-07 de outubro, que será apresentado hoje em Lisboa.

Lusa /

Editado pela Caminho, o livro "Gaza Está em Toda a Parte" resulta do trabalho da jornalista e escritora sobre a Palestina, em particular desde o ataque do Hamas contra o Sul de Israel, em 07 de outubro de 2023, que levou a uma ofensiva daquele Estado contra a Faixa de Gaza, que se estende até hoje.

O novo livro de Alexandra Lucas Coelho reúne reportagens, crónicas, alguns textos nunca publicados e 148 fotografias a cores, quase todas inéditas, a maioria dos quais pós 07 de outubro, sendo a única exceção uma reportagem da sua última ida a Gaza, seis anos antes.

Com publicação prevista para dia 06 de maio, "Gaza está em toda a parte" terá várias apresentações pelo país, a primeira das quais acontece hoje à noite, pelas 21:30, no Bar do Teatro A Barraca, conduzida pela jurista e ex-deputada do Parlamento Europeu Ana Gomes, com leituras de excertos pela atriz Maria do Céu Guerra e pelo livreiro e poeta Changuito, e com projeção de fotografias.

Numa nota introdutória, a autora explica que quando começou a organizar o livro, foi em busca da reportagem que fizera seis anos antes, com a intenção de a usar como anexo, já que a ideia era centrar o livro apenas no período após o ataque do Hamas, mas ao lê-la constatou que "do título à última linha, parecia a véspera do 07 de Outubro".

"Nunca estivera `online`, não circulara. E dias depois achei na `nuvem` as 282 fotografias dessa última ida. Não podia ser um anexo. Então é assim que o livro abre, dentro de Gaza, onde os jornalistas do mundo estão impedidos de entrar desde 07 de Outubro: primeiro a reportagem, depois uma sequência de 37 imagens", explica a autora.

Após esta primeira parte, que no livro aparece como a "Introdução", seguem-se os textos pós-07 de outubro, sempre por ordem cronológica, a começar com um conjunto de crónicas relativas ao período entre outubro e novembro de 2023.

A parte II, inclui reportagens na Cisjordânia, em Jerusalém Oriental e em Israel, entre dezembro de 2023 e janeiro de 2024, e também fecha com imagens: uma série de 111 (de entre as mais de 4.000 que fez durante esses dias).

A terceira parte do livro comporta um outro conjunto de crónicas, abarcando o arco temporal de janeiro de 2024 a março de 2025, mês este a que a autora se reporta em particular num último capítulo intitulado "Não acaba aqui".

Alexandra Lucas Coelho começa por recordar que na noite de 17 para 18 de março de 2025, "Israel bombardeou Gaza, acabando com o cessar-fogo" e matando pelo menos 436 palestinianos, muitos deles queimados, quando estavam a dormir ou a acordar.

A autora frisa que bombas pesadas continuam a cair matando dezenas por dia - apesar de 24 reféns ainda estarem vivos em Gaza -, que milhares de israelitas protestam contra o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, acusando-o de destruir o cessar-fogo e a democracia, que os Estados Unidos apoiam os bombardeamentos, que a União Europeia é incapaz de sancionar Israel, enquanto centenas de milhares em Gaza continuam a ser sistematicamente expulsos de umas zonas para outras e sucumbem à fome, devido à proibição de entrada de qualquer ajuda, que já dura há um mês.

Alexandra Lucas Coelho recorda que as últimas estimativas apontam para mais de 50 mil mortos, mais de 110 mil feridos, dois milhões de desaparecidos e a "razia de um território, com o seu património de milénios".

"Um genocídio em direto -- em curso -- que a imprensa de fora continua a não cobrir. O maior apagão na história do jornalismo. O colapso humano", escreve.

Alexandra Lucas Coelho recua ao dia 24 de março, pouco antes de o livro ir para a gráfica, para recordar que colonos israelitas espancaram Hamdan Ballal, correalizador de "No other land", recém-vencedor do Óscar de Melhor Documentário, que, apesar de ferido, ainda foi levado e maltratado por soldados de Israel durante horas, e que, nesse mesmo dia, "Israel assassinou mais dois jornalistas de Gaza".

"A história que leva ao 07 de Outubro remonta ao século XIX. Escrevi sobre partes dela em três livros anteriores (`Oriente Próximo`, `E a Noite Roda`, `Líbano, Labirinto`). Todos os outros textos sobre Israel/Palestina desde 2002 continuam por compilar", escreve a autora ainda na nota inicial.

Numa publicação na sua página no Instagram, Alexandra Lucas Coelho confessa que de todos os livros que fez, este foi "o mais difícil de fechar", pois "como fechar quando o maior horror continua? Quando o que é o humano continua a ser redefinido?".

Além da apresentação de hoje, ainda em Lisboa, estão previstas outras, com a presença da autora, no Liceu Camões, a convite dos estudantes, com projeção e conversa; numa aula aberta com Pedro Aires de Oliveira, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova; e numa conversa a meias com a escritora Shad Wadi sobre a Palestina na literatura, na Casa do Comum, a convite da Arte pela Palestina.

O livro será ainda apresentado em Caldas da Rainha, Coimbra, Porto, Braga, Ponte de Lima, Grândola, entre outros locais a anunciar, segundo a editora.

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