"Gil em Verso" reúne toda a poesia do músico e ministro Gilberto Gil

O livro "Gil em Verso", que reúne toda a poesia escrita pelo músico e ministro da Cultura brasileiro Gilberto Gil, conta-se entre as novidades da editora Quasi, que publica o livro na colecção "Biblioteca Sonora".

Agência LUSA /

Com organização do escritor Manuel Jorge Marmelo, que assina também uma das duas notas introdutórias do livro (a outra é do letrista e músico brasileiro Arnaldo Antunes), "Gil em Verso" apresenta cerca de 360 poemas, muitos dos quais "viraram canção".

O livro - que tem por base o trabalho desenvolvido entre os anos 1990 e 2003 por Carlos Rennó e publicado pela editora brasileira Companhia das Letras - inclui 90 poemas inéditos, nunca publicados ou musicados.

"Gil em Verso" está dividido em oito momentos - que acompanham a discografia do músico - e vai de 1962 até ao ano 2000, incluindo temas tão conhecidos como o controverso "Cálice" ou o infantil "O Sítio do Pica-pau Amarelo".

Gilberto Gil, que este ano celebra 40 anos de carreira musical, nasceu a 26 de Junho de 1942 em Salvador da Bahia, estudou acordeão, mas trocou este instrumento pelo violão, inspirado pela onda da bossa nova.

A sua primeira criação musical, "Bem Devagar", data de 1962, e no ano seguinte, ao conhecer Caetano Veloso, Maria Bethânia e Gal Costa, estabeleceu com estes uma colaboração que viria a dar origem, em 1967, ao movimento Tropicalista.

Em 1968 Gilberto Gil realizou a sua primeira digressão internacional, em Portugal e Espanha, seguindo-se uma fase de intensa militância política que, por coincidir com o período de ditadura no Brasil, acabou por o conduzir à prisão na companhia de Caetano Veloso.

Exilado em Londres a partir de 1969, foi neste período que a música de Gilberto Gil mais se internacionalizou, levando-o a actuar em Inglaterra, França, Suíça, Alemanha, Áustria, Dinamarca, Suécia e Estados Unidos, antes de regressar ao Brasil em 1972.

Como o clima repressivo se mantinha no Brasil, em 1973 foi impedido de cantar em São Paulo, num concerto com Chico Buarque, o tema "Cálice", proibido pela censura e que se tornou num hino de resistência e em prol da liberdade.

Também simbólica foi a canção "Não Chore Mais", adaptada do tema reggae de Bob Marley "No woman, No Cry" e que se transformou numa espécie de bandeira musical pela amnistia aos presos políticos brasileiros.

Além do trabalho como letrista e intérprete - que o levou a cantar ao lado de Jimmy Cliff, Sting, Stevie Wonder ou Elton John - Gilberto Gil foi autor de bandas sonoras para diversos filmes, caso de "Jubiabá", de Nelson Pereira Santos, baseado no romance homónimo do escritor Jorge Amado.

No que diz respeito ao empenho cívico, Gilberto Gil criou, em 1989, o movimento Onda Azul, de cariz ambientalista e vocacionado para a defesa dos rios e da costa brasileira, e no ano seguinte filiou-se no Partido Verde, representando Salvador em diversos fóruns ambientais internacionais.

Gilberto Gil, que foi o primeiro negro a integrar o Conselho de Cultura do Estado da Bahia, ocupa, desde 2002, o cargo de ministro da Cultura do governo do presidente Lula da Silva.

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