Gilberto Gil vem a Lisboa despertar "entusiasmo" e dar voz à proximidade Brasil-Portugal

Gilberto Gil vem a Lisboa despertar "entusiasmo" e dar voz à proximidade Brasil-Portugal

O músico Gilberto Gil traz ao Coliseu dos Recreios uma ópera onde a música brasileira encontra a Índia e a tradição clássica, num concerto a 10 de outubro para despertar "entusiasmo" e dar voz à proximidade Brasil-Portugal.

Lusa / Adicionar como fonte informativa

"Espero que encontrem ali algo que lhes desperte o entusiasmo, o gosto, a apreciação da música e da poesia, da dramaturgia, tudo o que caracteriza uma ópera", disse à Lusa o músico brasileiro sobre "Amor Azul", criado em parceria com o maestro e compositor Aldo Brizzi.

"É um trabalho de mescla, de amálgama", explicou Gilberto Gil, que juntou à música popular do Brasil "resíduos, ecos da música indiana, ecos da música de concerto, da música clássica" para criar a ópera com Aldo Brizzi, compositor e maestro italiano de 66 anos, que tem dedicado o seu trabalho à conjunção entre a música contemporânea, as tradições clássicas e as culturas populares.

Baseada no poema indiano da obra "Gita Govinda", do século XII, de Jayadeva Goswami, "Amor Azul" conta a história de amor entre o deus Krishna e a mortal Rada, numa ópera em dois atos com músicas inéditas.

O cantor e compositor brasileiro de 84 anos detalhou que o libreto resultou de uma tradução do poema feita por André Vallias e Aldo Brizzi, cuja experiência na música de concerto juntou-se ao seu "modo popular" de pensar a música.

"Eu fui convidado por ele para participar com ele desse trabalho", contou à Lusa, referindo-se ao compositor italiano.

Em Lisboa, Gilberto Gil será acompanhado pelo Núcleo de Ópera da Bahia (orquestra do seu estado de nascença no Nordeste do Brasil), pela Lisbon International Symphony Orchestra e pelo Coro Phydellius, sob a direção de Aldo Brizzi.

Em relação à sua relação com Portugal e com o público português, Gilberto Gil respondeu sem hesitações que a relação do artista, do músico brasileiro com Portugal tem sido ao longo da história uma relação muito intensiva, muito profunda.

"Por razões várias, uma delas a principal, não só a língua, mas também toda a história do descobrimento, da colonização, da presença portuguesa no Brasil, através da cultura portuguesa, através dos modos portugueses de interpretar a natureza humana e a natureza ampla, tudo isso cria, criou, historicamente, uma proximidade muito grande entre o Brasil e Portugal", justificou.

Por essa razão, disse, "quando se trata de música, essa proximidade é muito nítida"

Quanto ao espetáculo, o artista baiano foi taxativo: "espero que desfrutem."

"Espero que encontrem ali algo que lhes desperte o entusiasmo, o gosto, a apreciação da música e da poesia, da dramaturgia, tudo o que caracteriza uma ópera", concluiu.

"Amor Azul" foi estreada em versão de concerto em dezembro de 2022, na Maison de la Radio et de la Musique, em Paris, com a Orquestra Filarmónica da Radio France, num espetáculo transmitido pela RTP2 em outubro do ano passado, disponível na plataforma RTP Play.

Antes do espetáculo no Coliseu dos Recreios, Gilberto Gil atuou em 08 de julho no festival CoolJazz, em Cascais, num concerto anunciado para o Hipódromo Manuel Possolo, e ainda este ano esteve no Coliseu do Porto, no âmbito de uma minidigressão pela Europa, acompanhado pelos filhos Bem e José e pelos netos João e Flor.

Nascido em junho de 1942, em Salvador da Bahia, começou a carreira musical na década de 1950 a tocar acordeão.

Figura central do Tropicalismo, Gilberto Gil também foi ministro da Cultura do Brasil entre 2003 e 2008, durante a primeira administração do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e é membro da Academia Brasileira de Letras desde 2021.

Em 2023, recebeu o título de doutor `honoris causa` pela Universidade Nova de Lisboa.

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