Cultura
Golpe de Estado de há 3000 anos explicado pelo estudo de múmia egípcia
Os historiadores e egiptólogos sabiam, por documentos de então, que tinha havido, há cerca de 3000 anos, uma tentativa de golpe de Estado contra o faraó Ramsés III. Agora ficaram a saber, por uma observação mais atenta da múmia do faraó, que a intentona resultou na morte do soberano.
Três papiros de há cerca de três milénios referiam uma tentativa de derrubar o faraó em que estiveram envolvidas várias figuaras cimeiras do antigo Egipto: altos funcionários da corte, seis inspectores do harém régio, escribas e esposas secundárias do monarca, todos liderados pela "rainha secundária" Tiy e pelo filho, dela e do faraó, Pentaura. Este queria suceder a Ramsés III em vez do filho considerado herdeiro legítimo do trono.
O putsch fracassou e, sabe-se também pelos três papiros, ocasionou um julgamento em que 38 conjurados foram condenados à morte e obrigados a suicidar-se no próprio tribunal.
Suspeitava-se entretanto que o faraó tivesse sido morto durante a tentativa falhada de golpe palaciano, mas era impossível obter-se a confirmação dessa suspeita através dos três papiros. E também foi impossível obter a confirmação por um primeiro exame que o egiptólogo Maspero fez em 1881 ao cadáver do faraó, logo no momento em que a sua múmia foi encontrada.
Acontece que um novo exame, agora realizado sob a direcção do paleopatólogo Albert Zink, prestou maior atenção ao pescoço do faraó, que apresenta afinal uma ferida profunda. Esta ficara escondida por uma espécie de "cache-col", que parecia proteger Ramsés III contra o frio da outra vida. Essa ferida só podia ser nortal, como ontem revelou, na sequência do exame de Zink, o British Medical Journal.
Por outro lado, descobriu-se que uma outra múmia, até aqui não identificada, é a do conspirador Pentaura, obrigado a suicidar-se após o fracassar a "Conjura do Harém".
A ciência pode tardar 3000 anos a emitir o seu veredicto. Mas não deixou prescrever o processo.
O putsch fracassou e, sabe-se também pelos três papiros, ocasionou um julgamento em que 38 conjurados foram condenados à morte e obrigados a suicidar-se no próprio tribunal.
Suspeitava-se entretanto que o faraó tivesse sido morto durante a tentativa falhada de golpe palaciano, mas era impossível obter-se a confirmação dessa suspeita através dos três papiros. E também foi impossível obter a confirmação por um primeiro exame que o egiptólogo Maspero fez em 1881 ao cadáver do faraó, logo no momento em que a sua múmia foi encontrada.
Acontece que um novo exame, agora realizado sob a direcção do paleopatólogo Albert Zink, prestou maior atenção ao pescoço do faraó, que apresenta afinal uma ferida profunda. Esta ficara escondida por uma espécie de "cache-col", que parecia proteger Ramsés III contra o frio da outra vida. Essa ferida só podia ser nortal, como ontem revelou, na sequência do exame de Zink, o British Medical Journal.
Por outro lado, descobriu-se que uma outra múmia, até aqui não identificada, é a do conspirador Pentaura, obrigado a suicidar-se após o fracassar a "Conjura do Harém".
A ciência pode tardar 3000 anos a emitir o seu veredicto. Mas não deixou prescrever o processo.