Grupo chinês de samba actua pela primeira vez no Brasil

Pequim, 04 Fev (Lusa) - O grupo chinês SambaAsia Beijing, com espectáculos que combinam a percussão brasileira com música e tradições asiáticas, vai participar no Carnaval brasileiro em S. Salvador da Bahia, disse hoje o director artístico do grupo à agência Lusa.

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Num inédito intercâmbio cultural, os SambAsia Beijing, colectivo musical chinês, foram convidados para ir ao Brasil e actuar com um dos grupos afro-brasileiros de samba mais experientes, os Olodum, na festa do Carnaval de Salvador.

"Estamos excitados e ansiosos, porque é uma honra para nós receber este convite", contou à agência Lusa o director artístico do grupo, Jimmy Biala.

É a primeira vez que um grupo musical chinês participa no Carnaval brasileiro, numa experiência artística sino-brasileira que também é pouco usual.

"Para alguns membros do grupo, é a primeira viagem fora da China e a os Olodum são os criadores do Samba Reggae, por isso esta colaboração é uma grande responsabilidade para nós", garante Biala.

Das cerca de 50 pessoas que constituem os SambAsia Beijing, apenas seis tiveram a oportunidade de ir ao Brasil, devido a restrições financeiras. Mas Biala assegura que, "quando regressarem à China vão tocar e sambar como se estivessem a actuar num espectáculo na Bahia".

Segundo o responsável artístico, que também actua como percussionista, "esta experiência vai ter um efeito emocional, espiritual e artístico profundo, tanto nas vidas dos músicos como do grupo".

"No Brasil, o ambiente musical é muito forte", acrescenta Biala, que estudou e ensinou música no Brasil antes de viver na China. "Lá, a música e a dança não são actividades recreativas, fazem parte do ar que todas as pessoas respiram, por isso é que esta experiência é tão importante", acrescenta.

Os SambAsia cantam em português, tocam tambores, dançam samba e os seus espectáculos ao vivo são uma fusão de samba e afoxe brasileiros com o espírito asiático.

O convite para ir ao Brasil surgiu por parte da embaixada brasileira em Pequim, o maior promotor e apoiante do grupo, e do governador de Salvador da Bahia, depois de ter assistido a um espectáculo do grupo chinês no ano passado.

Além do batuque dos tambores, do ritmo do pagode e do afoxe que caracterizam os espectáculos de percussão tradicional brasileira, os SambAsia Beijing são uma comunidade que promove a cultura do Brasil na China.

Com membros entre os 10 e os 45 anos, o grupo reúne desde estudantes a engenheiros, empregados de escritório e designers. Dos seus membros, 80 por cento são chineses e os restantes são de outras nacionalidades, como irlandeses, japoneses, australianos, americanos, escoceses.

Os SambAsia querem ser "um pólo de actividade social e fonte de orgulho comunitário, de sentido positivo e de esperança perante numa sociedade económica e socialmente dura", de acordo com as intenções divulgadas pelo colectivo.

Criado em Maio de 2006, além do ensino artístico musical como forma de auto-expressão, os SambAsia Beijing preparam pessoas que levam a música e o espírito do grupo às comunidades desfavorecidas de jovens e crianças, além de actuar com frequência para fins de beneficência.

"O ensino da música e da dança vai contribuindo para aproximar as duas culturas e a boa energia e inspiração que a música traz à vida das pessoas" faz com que a partilha cultural seja possível, explica Biala.

O colectivo já actuou na China em eventos como o Jazz Festival, o Dashanzi International Art Festival, o Midi Music Festival e o seu último espectáculo com o músico Cui Jian - o pai do rock chinês - aconteceu diante de 8 mil pessoas no Worker`s Stadium em Pequim.

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