Grupo da Cova da Moura estreia "A Mulher que Parou"

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Lisboa, 04 Fev (Lusa) - "A Mulher que Parou", uma peça de Tiago Rodrigues sobre o papel de um elemento dinamizador numa comunidade, estreia-se quinta-feira no Espaço Alkantara, pelo grupo de teatro Nu Kre Bai Na Bu Onda, da Cova da Moura.

"Esta `Mulher que Parou` podia ser uma mulher qualquer. O que nos interessava era termos um grupo, termos um elemento dinamizador desse grupo... e ver o que é que acontece quando ele pára, independentemente de que grupo seja, de que faixa etária ou classe social. Esta mulher que parou é qualquer um de nós, enquanto elemento dinâmico dentro de um grupo", disse à Lusa Pedro Carraca, encenador da peça, juntamente com Cláudia Gaiolas.

"O mesmo acontece com os locais que existem dentro de um bairro - acrescentou Cláudia - no meu bairro, também há cabeleireiros, também há cafés (dois dos cenários em que decorre a peça). Este bairro não é necessariamente o bairro da Cova da Moura, são todos os bairros onde existem cafés, cabeleireiros... espaços de encontro".

Este grupo de teatro, composto por nove elementos, nasceu no âmbito do projecto Nu Kre Bai Na Bu Onda, integrado numa parceria entre a Associação Alkantara, o Programa Escolhas, a Associação Cultural Moinho da Juventude, a Junta de Freguesia da Buraca e a Associação de Solidariedade Social do Alto Cova da Moura, e que tem por objectivo o desenvolvimento de competências em várias áreas, como desporto, música, dança e teatro.

Bela Medina, Diana Varela, Djena Baldé, Edna Varela, Elisa Varela, Lena Amaral, Miguel Vaz, Paula Silva e Tozé Barros começaram a ensaiar em Setembro, depois de Tiago Rodrigues ter ido à Cova da Moura falar com eles e fazer uma visita guiada pelo bairro, antes de escrever o texto.

"O texto foi chegando, foi sendo discutido, e depois começámos os ensaios", indicou a encenadora.

"Há algumas coisas que são deles, como o atletismo, por exemplo, e na peça fala-se um bocadinho sobre atletismo, algumas delas correm, na peça. O cabeleireiro surgiu das conversas sobre os cabeleireiros onde iam, cafés onde costumavam ir - são espaços de encontro, que estão retratados na peça", observou.

Dificuldades na montagem deste espectáculo, "houve muitas", exclamou Pedro Carraca.

"Primeiro, a coordenação de tempos, porque estamos a falar de pessoas que estudam, que trabalham, que têm filhos, que têm vidas hiper-preenchidas e que não se podem desfazer das vidas delas para estar aqui a trabalhar a um ritmo que se quer profissional - o que significa que não se faz mais nada na vida a não ser isto", referiu.

"Depois, tivemos dificuldades de concentração e de hábitos e de aprendizagem de teatro, o que é normal em pessoas que estão a fazer um percurso para se tornarem semi-profissionais, se não mesmo profissionais, mas que ainda estão a meio desse percurso, e não no fim", acrescentou.

Vencidos os obstáculos, "A Mulher que Parou" estará em cena de quinta-feira a domingo, até 15 de Fevereiro, às 21:30, no Espaço Alkantara, em Santos.

E Cláudia Gaiolas deixou um convite ao público: "Venham ver este espectáculo, que pode ser sobre todos nós, que às vezes não paramos, não temos tempo para parar, e às vezes é preciso parar para pensarmos em nós e nos outros e no que nos rodeia (...) Parem um bocadinho e venham ver-nos".

ANC.


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